T R A D U T O R
10 de out. de 2026
ONDE A NORMA CULTA NÃO DITA REGRAS
5 de out. de 2026
ENSINA-ME A OLHAR!
Eu, confuso, respondi: "Que urso?".
Você gostou da história, minha boneca?
1 de out. de 2026
O VOTO SEM ILUSÃO
26 de set. de 2026
O ÔNIBUS DE GUAPORÉ
No feriado passado, meu pai levou a mim e a minha mãe à casa da minha avó.
Foi uma das melhores coisas que me aconteceram este ano. Descansei a cabeça, vi a horta de onde vovó tira os temperos e o verde das saladas e, como de costume, ela nos contou mais uma de suas bonitas histórias. Vou tentar passar para vocês:
Um imigrante italiano tinha um hotel em Guaporé, no Rio Grande do Sul, famoso pela comida farta e generosa. O ônibus que vinha da capital sempre parava ali para o almoço. Em um sábado, três ônibus vindos do interior encostaram. Todos os passageiros desceram para comer, menos um adolescente. Ele continuou sentado, com a cabeça encostada na janela.
O hoteleiro, um homem de coração gigante, percebeu e se perguntou: "Será que ele não gostou daqui? Será que já almoçou? Por que não desceu?". Ele subiu no ônibus e questionou o jovem:
— Por que você não desceu com os outros?
O rapaz, de sobrancelhas espessas, respondeu timidamente:
— Gastei tudo na passagem.
Ele estudava no Centro Técnico Agrícola em Viamão e estava viajando para Carazinho, onde morava sua família. Não tinha um centavo no bolso.
O italiano puxou o jovem pelo braço e decretou:
— Ninguém passa fome em Guaporé!
Sentou o garoto na cabeceira da mesa e serviu um prato suntuoso: arroz, feijão, bifes na chapa, massa e aquele ovo perfeito, com a gema mole. O jovem limpou o prato. A timidez deu lugar ao sorriso e à conversa — ele havia sido transformado pelo acolhimento. Ao final, o italiano ainda lhe garantiu uma segunda rodada. O jovem já estava rindo — porque a gente só ri de verdade depois que ganha intimidade.
Quem se tornou esse jovem? — perguntou minha vó. Leonel Brizola — meu pai respondeu. Ele viria a ser governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. E o que Brizola fez em seus mandatos? — continuou minha avó: Criou as escolas de tempo integral com refeições garantidas para as crianças (os CIEPs).
— A verdade é que você só faz aquilo que já faltou na sua vida — disse ela ao deixar a mesa para fazer o café.
Vovó nos deu uma profunda lição sobre o acolhimento. Esse episódio marcante da juventude de Leonel Brizola, que eu não conhecia, realmente moldou quem ele viria a se tornar. Órfão de pai e de origem extremamente humilde, como descobri em pesquisas, ele sentiu na pele a fome e a falta de oportunidades antes de conseguir se formar em engenharia e, mais tarde, tornar-se o político que foi.
Dei aquele sorriso para o meu pai e, pegando a mão da minha mãe, falei para a vovó do orgulho que eu tinha das suas conversas.
21 de set. de 2026
COSTURANDO SONHOS
Atrás do barulho ritmado da máquina de costura, existe um silêncio que ninguém ouve. É ali, entre retalhos e linhas, que a mãe de Gabriel esconde o cansaço de uma jornada dupla. Ela é o teto e o chão, o sustento e o aconchego. É a mãe que, por força da vida, precisou aprender a ser pai também.
16 de set. de 2026
UM DOCE DE VIZINHA
Quero contar uma história rápida que minha avó viveu e que me fez pensar muito. Uma vizinha nova se mudou para a rua dela e logo ganhou uma fama estranha por levar à minha avó duas fatias de bolo que ela assava de vez em quando. Minha avó achava aquilo uma grande bobagem e dizia para o meu avô que era melhor levar o bolo inteiro ou nem se desse ao trabalho.
Um dia, ao receber o pratinho de sempre, minha avó cutucou: — Você não sabe fazer bolo pequeno? — A vizinha só riu: — Sei sim.
A explicação veio numa conversa na calçada na semana seguinte. Minha avó comentou sobre o mistério das duas fatias, e a vizinha foi direta: — É de propósito. Se eu lhe der um bolo inteiro, a senhora vai se sentir na obrigação de me devolver algo na forma. Duas fatias a senhora come sem culpa. É só um carinho.
Minha avó travou na hora. Ela percebeu que era verdade e que realmente se sentiria em dívida se ganhasse o bolo todo. Desde então, quando aquela vizinha bate no portão, minha avó não vê mais o que seus olhos lhe mostram. Vê um abraço em forma de doce. Um jeito delicado de se fazer presente sem exigir nada de volta.
Que maluquice o jeito como a gente julga as coisas sem entender o cuidado que tem por trás, né? Eu achei essa vizinha genial demais.
11 de set. de 2026
RAÍZES DE NÓS
6 de set. de 2026
A DITADURA PELA JANELA DA VOVÓ
1 de set. de 2026
AMIGOS DO MEU PAI
28 de ago. de 2026
À MINHA REVELIA
23 de ago. de 2026
XEQUE-MATE AO CORAÇÃO
13 de ago. de 2026
O QUE SOBROU DE MARGÔ
8 de ago. de 2026
OLHARES QUE NÃO ME PARAM
3 de ago. de 2026
O CÓDIGO DA HERANÇA
29 de jul. de 2026
SESSENTA ANOS DEPOIS DE MIM
O tom dela, de repente, desabou para a melancolia:
Meus vestidos agora são longos, como mortalhas que sepultam o corpo que já foi desejo. Mas a verdade crua... — ela sussurrou, tocando meu queixo — ...é que por dentro eu choro a morte da deusa que fui, condenada a viver como um fantasma num corpo que ninguém mais quer tocar.
23 de jul. de 2026
LEITOR OU PERSEGUIDOR?
18 de jul. de 2026
SOCORRO, MEU CÉREBRO AGORA PENSA EM CÓDIGO!
Dizem que a faculdade de Engenharia muda a gente, mas ninguém avisa que a programação é um caminho sem volta para a "Matrix" da vida real. Antes, eu achava que "fazer um app" era simples como postar um "story". Agora, após passar quatro horas tentando entender por que um ponto e vírgula derrubou todo o meu projeto, desenvolvi um respeito religioso por qualquer coisa que funcione. Se o micro-ondas esquenta a comida sem dar "Runtime Error", eu quase sinto vontade de aplaudir. Aprender a programar é, basicamente, aprender a ser humilde perante uma máquina que só faz o que você manda — e nós, geralmente, mandamos errado.
A lógica de programação grudou na minha rotina de um jeito que não consigo mais tomar café sem pensar na eficiência do processo. O problema é que a vida real não aceita Ctrl+Z. Se eu cometo um erro de lógica em uma conversa com o crush (que, por sinal, eu não tenho), não tem como dar um "reboot" no servidor e fingir que nada aconteceu.
Uma pessoa comum, ao ver um "site" bonito, fica feliz. Já o estudante de computação quer saber qual "framework" usaram, como o banco de dados suporta o tráfego e por que o botão de "Sair" está com um "delay" de 2ms. A gente perde a paz, mas ganha um superpoder: entender os bastidores do mundo moderno.
Resumo do semestre até agora: meu café está frio, meu código está com 42 avisos de erro e eu nunca estive tão animada. Afinal, se a vida é um grande código mal escrito, estou aqui justamente para aprender a "buildar" algo melhor ou, pelo menos, entender por que o "bug" aconteceu.
13 de jul. de 2026
O BRILHO QUE VEJO NOS OLHOS DA RÔ.
Parabéns, pequeno gênio! E um beijo do "tio",
11 de jul. de 2026
VOZINHA
Todo mundo sabe que eu não sou fissurada em jogo de bola. Futebol para mim sempre foi aquele barulho na sala, minha família gritando na TV e eu olhando de canto de olho. Mas esse tal de Vozinha? Menina, esse cara me levou às lágrimas.
6 de jul. de 2026
SÓ BISCOITO, O SONHO ACABOU!
Olha, meu pai só pode achar que é artista de teatro dramático, não é possível. Educado todo mundo sabe que ele é, mas precisava chorar de verdade só porque os amigos dele — que passaram a tarde assistindo a um bando de marmanjo simulando um barco imaginário — ganharam da gente? Da gente não, né? Deles, que sofrem e morrem de amores por futebol.
Gente, papo sério: quando eu soube que o Ronaldo português ganha 4 milhões de reais por dia, minha cabeça explodiu. Será que a diretoria do Al-Nassr, na hora de fazer o pix ou assinar esse contrato milionário, tem a menor noção do que é o nosso perrengue? Acordar cedo, mofando em condução apertada, comendo de marmita e trabalhando feito louco para chegar morto em casa e receber um salário miserável de 1.700 reais por mês? Acho que não, né, mané!
E o meu pai lá, enxugando as lágrimas dos vizinhos que vieram aqui só para sujar a sala de pipoca. Até molho de cachorro-quente a minha mãe encontrou pelos cantos e nas poltronas! Olha, bem-feito para a senhora também, dona mãe. Não falo isso para brigar, mas fico indignada: a senhora não tem empregada, a diarista só vem uma vez por semana — e ainda falta muito para ela voltar —, e a senhora fica aí, com essa cara de boba sorrindo para o prejuízo!Sinceramente, não sei a quem eu puxei nessa família. Não vejo graça nenhuma em ver minha mãe rindo do caos, meu pai chorando por causa de jogo e um português ganhando o dinheiro que ganha.
Para fechar, espero que o pessoal que estava chorando pelo Hexa entenda que o Hexa já veio! Sim, porque pelo que eu li na imprensa, faz exatamente seis Copas do Mundo que o Brasil não ganha de nenhum time grande.
É o Hexa do jejum, minha gente! Podem vibrar, o Hexa finalmente chegou!













