Minha pequena Rô, olha bem para esse lugar. Olha para esse notebook na sua frente, para essas luzes e para esse crachá que diz "Engenharia".
Sabe, quando eu tinha a sua idade, minhas mãos não tocavam em teclados; elas sentiam o peso da água nos baldes e o calor do ferro de passar. Naquela época, o 'código' que eu tinha que aprender era o de como ser invisível para não incomodar, de como baixar a cabeça para poder passar. As salas de aula que eu via eram apenas aquelas para as quais eu te levava quando você era pequena.
Às vezes, eu fechava os olhos por um segundo e tentava imaginar como seria o futuro. Eu não sabia o que era um algoritmo, mas já estava calculando o caminho para que você chegasse até aqui. Estava economizando cada centavo, cada gota de suor, para que um dia o seu único trabalho fosse pensar, criar e ocupar.
Ver você sentada nessa bancada, discutindo de igual para igual com essas pessoas, resolvendo problemas que parecem grego para mim... minha filha, isso não é só um curso. É o meu sonho que criou pernas e agora está aí, digitando. Você é a prova de que nenhum esforço foi em vão.
Sempre que o código der erro ou alguém tentar te fazer sentir pequena nesta sala, lembra das minhas mãos. Elas te sustentam. Você não está sentada nessa cadeira sozinha; eu estou aí com você, sua avó está aí, e todas as mulheres que vieram antes de nós estão de pé, atrás de você, aplaudindo cada linha de código que você escreve.
"Você é a nossa vitória mais bonita, Rô."
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