T R A D U T O R

11 de jul. de 2026

VOZINHA

     


     Todo mundo sabe que eu não sou fissurada em jogo de bola. Futebol para mim sempre foi aquele barulho na sala, minha família gritando na TV e eu olhando de canto de olho. Mas esse tal de Vozinha? Menina, esse cara me levou às lágrimas.
     Um cara com 40 anos, já no que esse povo chama de "final de carreira", chega em campo com aquele jeitinho de gente simples, de quem só quer um lugar para comer e, se possível, descansar depois da batalha. Mas, quando a bola rola, o homem vira um gigante! O pessoal lá em casa não cansava de contar, incrédulo: foram muitas defesas difíceis! É ou não é para deixar a gente do jeito que eu fiquei? De coração na boca!
    E aí veio aquele jogo contra a Argentina. Que dor, cara. Aquela derrota apertada acabou com o nosso sonho e tirou lágrimas de todo mundo lá em casa. Ver o Vozinha se despedir daquele jeito quebrou as nossas pernas; eu mesma chorei junto com a minha família na sala, sem conseguir acreditar.
     Cabo Verde pode até não ter a maior renda per capita do mundo, mas o Vozinha chegou ali como se fosse um dos nossos, nascido e criado na periferia. Ele jogou pela dignidade do povo dele e merecia demais a vitória.
      Parabéns, jogador. Você foi gigante. Parabéns, Cabo Verde. Só vocês me fizeram torcer.

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