Quando não gostamos de alguém, inventamos desculpas para evitar a pessoa. Quando isso falha, o erro humano nos leva a tentar desmerecê-la. Não digo isso por suposição; digo porque conheço um pouco a natureza humana e já vi esse reflexo no espelho da minha própria penteadeira, quando evitei pessoas que são queridíssimas por muitos, mas que simplesmente não me descem pela garganta. Para não criar atritos desnecessários, prefiro o distanciamento.
Mas por que perco tempo tentando decifrar a psicologia alheia se mal consigo compreender o meu próprio intelecto? Posso não ser uma teórica, mas eu sinto. E qual é a minha culpa se você gosta de pimenta e eu não? Enquanto ela enriquece o prato de uns, eu prefiro a simplicidade do meu.
Dias atrás, escrevi um texto na maior descontração. Para minha surpresa, alguém com séculos de dias vividos a mais do que eu jamais sonharia viver apareceu para criticar — não o conteúdo, mas a fórmula. É o velho ditado: uns se encantam com a história, outros apenas com a capa do livro. Mentiria se dissesse que não me importei. Incomodou, sim. Fiquei chateada, zangada, bufei de raiva. Mas chorar? Disso eles não vão ter o gosto.
Sei que há quem acumule títulos acadêmicos, mas não se equipare àquele que, sem nunca ter frequentado uma universidade, possui uma inteligência superior. Ainda assim, esses 'doutores' posam como se obtivessem nota máxima na graduação, embora o boletim de suas atitudes mal alcance a média. Felizmente, posso orgulhar-me de um fato: em minhas experiências práticas, minha nota nunca foi menor do que nove. Enquanto isso, um ou dois, certamente repetentes, julgam-se no direito de apontar o dedo, de forma reprovável, contra o meu trabalho.
Vão se catar, antes que eu me esqueça. Pronto, desabafei.



