Meu pai tem uns amigos muito esquisitos. Por exemplo, um deles é sapateiro, mas só conserta bolsas e cintos. Outro é o típico conquistador barato: vive atrás de qualquer rabo de saia, mas basta uma mulher parar e perguntar o que ele quer para o sujeito disfarçar e sair de fininho. Mas o que mais me irrita é o folgado que bate ponto lá em casa. Quando aparece, é única e exclusivamente para tirar sarro do meu pai. Se dependesse de mim, ele já teria vazado no primeiro dia. Mas o papai, com toda a sua paciência — ou bobice —, deixa ele ficar. O pior é reconhecer que a casa ficaria num silêncio absoluto sem ele, já que o sujeito é uma figura e fala pelos cotovelos. Menos mal que ele não se deu conta do impacto que causa; senão, coitados de nós, ia ser um inferno.
Foi por causa desse chato, inclusive, que arranjei um tempinho para esta postagem. Como eu dizia, o tipo não sai da nossa casa, mas nunca convida ninguém para a dele. Se alguém insinua uma visita, ele muda de assunto na hora. Eu mesma só consegui ir lá uma vez, acompanhada do meu pai. Para a minha surpresa, o lugar é limpinho e todo organizado. Vi até uns livros cheios de marcadores perto do lugar onde ele escreve as bobagens dele. Só não sei se ele realmente lê aquilo tudo ou se é só para enfeitar o ambiente.
Eu estava aqui pensando: há muito tempo ele não fala dos esportes radicais que praticava. Acho que finalmente se deu conta da idade. Agora o esporte dele é escrever, e volta e meia brota aqui no meu espaço só para implicar comigo e despejar comentários sem o menor sentido. Sinceramente? Não estou nem aí para essa provocação. Normalmente fico na minha para não arranjar confusão. Não quero que ele apele, passe dos limites em algum post ou simplesmente suma lá de casa e deixe meu pai triste com a sua ausência. Tirar sarro no dia a dia é uma coisa, mas boicotar a amizade com o velho já seria sacanagem.
Te cuida, hein, sujeito! Vê lá o que faz com meu velho, falou!


