Cara, é surreal. Olho pra trás e nem consigo processar que, até os 15, eu não dava um passo sem essa garota. A Margô era o auge da timidez: olhinho baixo, voz mansa, tipo, real invisível perto dos outros. Mas foi só a família dela se mudar pro bairro vizinho que o bagulho desandou. Ou será que o caráter dela que apodreceu mesmo?
A garota não só mudou o jeito, como virou outra pessoa, do nada. Começou a desfilar de grife e a dar ordem com uma arrogância que nunca foi dela. Dos pais? Sumiram, ninguém sabe, ninguém viu. Mas dela o Rio todo tá sabendo: a fofoca virou manchete, bombou no Twitter e no Insta. Acabou rodando na casa do namorado, um cara que a polícia tava caçando há um tempão.
Minha vontade é ir lá agora, olhar na cara dela e mandar um "qual foi?" pra entender essa mudança. Quero saber onde foi parar aquela menina. Mas aqui em casa o papo é reto: me proibiram de ir. Dizem que "não se chora sobre leite derramado", sabe? Como se a vida de alguém fosse um copo quebrado que você simplesmente joga no lixo. É revoltante ver a pureza de uma infância ser jogada fora por escolha — e nem sempre só dela —, enquanto eu fico aqui, de mãos atadas, assistindo ao "game over" de quem eu achei que conhecia.

