T R A D U T O R

4 de fev. de 2026

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO.

 




         Algumas pessoas falam sobre mim, me qualificam como indecisa, como se eu me importasse. Na realidade, sou bastante indecisa, nem sempre tenho certeza sobre o que gosto ou desejo realizar. Algumas vezes, acredito que sou alienada ou algo do tipo. Admiro com paixão o mundo onde vivo, a vida que tenho e a natureza que me sustenta. Quando tiro para pensar, eu penso demais, imagino demais, analiso demais, concluo demais e, em poucos minutos, mudo de opinião. Diariamente surgem novas ideias em minha cabeça, o que me faz compreender que sou constantemente inconstante. Também, gosto de falar sobre coisas que as pessoas não se importam. Quando começo, só paro quando alguém me belisca. Estou pouco me importando com os assuntos fúteis que circulam entre as garotas, se eles não conduzem ninguém a lugar algum. Na verdade, eu gosto de ser dessa forma. Não me preocupa muito se isso faz com que as pessoas se afastem de mim. Não mesmo!
Possivelmente, não tenho certeza do que desejo para minha vida, afinal, quem sabe, com a idade que tenho? Na minha idade, você tinha certeza?
Em algumas ocasiões, penso que posso ter um surto com essas pessoas ao meu redor. Essas que se vão e reaparecem a cada instante. Eu também sou assim. Tem vez que acho a escola boa demais e, ao mesmo tempo, muito ruim.
Pronto, senhora analista. Falei tudo, conforme a senhora pediu!

30 de jan. de 2026

VAI DORMIR, SEU BÊBADO!

 


     Talvez o Sr. Antônio, o Bunda-de-macaco,  não soubesse que carnaval é em fevereiro e não o ano todo. Oh!, vontade de abrir a janela e gritar: — “Para com essa barulhada aí, o Bunda-de-macaco do cacete
!!
!”
Gente, todas as noites é a mesma ladainha. Esse sujeito enche a cara e, ao chegar a casa, desanda a cantar. Não satisfeito, pega um balde e “toca” o resto da noite. O pior é que o prédio, assim como o bairro inteirinho, não dorme com a barulhada! Quero lembrar que a casa dessa pessoa dá fundos para o meu prédio. Ele afirma que só canta e só toca quando bebe, quer dizer, todos os dias. Isso é para não ouvir o esporro que vai levar da mulher — segundo ele diz. — Sempre que bebo, ela solta os cachorros! Dona Sissi, a mulher do cachimbo, não tem paciência nenhuma com o pobre marido. Ao invés de conversar com ele dentro de casa, não. Prefere brigar do lado de fora. Não tem sono, por melhor que seja, que possa resistir. Se eu fosse um pouco mais corajosa, abria a janela e gritava: — “Bunda-de-macaco, seu filho da pu**. Para com essa
po
*** ou vou chamar a polícia, seu babaca!!!”
Infelizmente, só penso e não falo. 





24 de jan. de 2026

CIÊNCIA EXATA – 01.

 



Fui ao shopping com minha mãe ver um filme que rolava em um daqueles cinemas. Na praça de alimentação ouvimos alguém me chamar. Era a minha ex professora de matemática, aquela que me fez trocar de colégio. Na hora que escutamos a voz, minha mãe foi até lá com um sorriso enorme na cara. Se eu tivesse contado o que a professora tentara comigo na casa dela, talvez mamãe não ficasse assim tão contente. Eu devia ter dito que, se eu não fugisse, não faço a menor ideia do que aconteceria com ela enfiando aquela mão macia por entre as minhas roupas. A única coisa que eu me lembro é de ter sentido um troço muito esquisito. Sei lá, uma sensação diferente, tipo um calor ou qualquer coisa parecida. Eu não saberia dizer se ela, depois disso, tentaria coisa pior. Mas, como estávamos sós… Sei lá, vai que ela me agarrasse. E minha mãe, coitadinha, toda boba com o jeito da professora tratar sua filha, nem poderia imaginar do que ela seria capaz. Oh, vontade de deixar minha mãe e voltar para a casa sozinha. Só não fui por não ter como pagar a passagem, senão tinha ido.  O que não quer dizer que eu seja azarada, mas sorte, sorte eu não tenho ou mamãe não convidaria a maluca para assistir ao filme conosco. Só que, para piorar, a professora aceitou. Aceitou e escolheu sentar-se entre nós. Eu estava ansiosa, esperando a luz apagar. Sabia que em um dado momento ela viria me perturbar, mas não veio. Fiquei muito zangada, não sei se comigo, por pensar essas coisas ou por ela não ter se atrevido como eu achava que pudesse. O pior é não saber como me comportaria com aquela mão enfiada na minha roupa como tentou uma vez. Na saída trocaram beijos e marcaram de se encontrar novamente. Peço a Deus que me incluam fora dessa ou terei de contar para minha mãe o que jurei não falar com ninguém. Não sei se terei coragem e até, de repente, quem sabe eu não apareça no encontro das duas?

20 de jan. de 2026

SAMBA DO ZECA

 



              Eu não tinha expectativas maiores para aquele fim de semana do que as que me foram oferecidas. Quando meu pai anunciou que nos levaria à casa do Zeca, eu me senti meio confusa, desorientada. Zeca, mas que Zeca é esse, meu Deus? — Zeca Pagodinho! — gritou minha mãe da cozinha. Eu não era uma grande admiradora desse cantor ou das músicas dele, mas como resistir quando o dono da casa, no meio da festa, levanta um microfone e, apontando para você, bate no peito e te dedica a música que está cantando naquele momento? Não apenas com ele, mas também com outros que cantavam, apontando para mim. Na verdade, não tinha certeza se cantavam para mim ou para o blogueiro, sempre ele, que não apenas nos conduziu a Xerém, mas também nos apresentou ao artista. Cara, foi a melhor tarde que já vivi na minha vida. Imagina um enorme fogão a lenha, com 12 panelas de ferro, preparando feijão e miúdos de porco para suprir uma demanda que não cessava de aumentar. “É o dia inteiro assim, quando tem samba em Xerém”—, disse uma pessoa que passou segurando um prato com cuidado para não derramar. Não consegui contar as caixas de cerveja, porém os caminhões que as transportavam, sim, contei dois.
No que se refere aos cantores, eu não tinha ideia de quem eram. — “Esse é o João Bosco. O outro, com a camisa amarrada na testa, é Diogo Nogueira. Aquela pessoa com a Zélia Duncan é o Paulinho da Viola. E os três, lá atrás, com o Zeca: são Moacyr Luz, Nelson Sargento e a filha da Elis Regina, Maria Rita. Você deve saber quem é”. Disse o blogueiro, apoiando seu braço em meu ombro, que eu, com delicadeza, retirei de cima de mim.

16 de jan. de 2026

SOLTEIRA POR OPÇÃO

                       
                 
       O namoro na fase escolar é uma opção. Pelo menos para mim e alguns que convivem comigo. Principalmente daqueles pais que nos acompanham nessa questão. Enquanto alguns colegas garantem não ver problema nenhum nisso, já certos adultos viram a cara quando tocamos no assunto. Uma pesquisa na faculdade onde estudo abordou a questão. Segundo os professores e estudiosos, adolescentes que não namoram são menos propensos à depressão e à falta de esperança. Também temos melhores habilidades sociais e de liderança.
Chegaram a essa conclusão abordando 600 estudantes de 11 a 19 anos de várias escolas e faculdades. A maioria, entre 15 e 17 anos, já tinha namorado, o que não seria nada de mais. O foco da pesquisa era descobrir quais eram as implicações para nós que optamos por não namorar.
Os professores e estudiosos já vinham fazendo relatórios anuais (mesmo antes do meu ingresso à faculdade), perguntando se os entrevistados tinham namorado naquele período e como estava o relacionamento com suas famílias e os amigos e se algum deles, de nós, teve sintomas de depressão. A definição de “namoro” para eles se referia a estar com a mesma pessoa durante um mês, pelo menos. O resto dos professores foi convidado a preencher um relatório dizendo da liderança e da habilidade social de cada um ao longo do tempo.
Nós, que não estávamos em nenhum relacionamento, fomos melhor classificados em habilidades sociais e de liderança. Já os que namoravam afirmaram sentir tristeza e desesperança com maior frequência que nós, os solteiros.
Conforme os pesquisadores, a ideia de que quem não tem namorado ou namorada é “desajustado social” definitivamente já não é considerada. O estudo garante que a opção de ficar solteiro na juventude garante um desenvolvimento normal e saudável.