Para os fãs de futebol, nenhuma época é tão importante quanto os meses de junho e julho. O dia, de repente, fica pequeno para tanta gente vibrando com um gol ou xingando a mãe do juiz. O mais engraçado é notar como, de uma hora para outra, todo mundo vira especialista e entende tudo da coisa.
Todo mundo, menos eu.
Eu não consigo nem ler os comentários da rodada para fingir que sei do que estão falando. E não é por falta de tempo, mas por pura falta de interesse mesmo. A verdade é que isso não me chateia e nem me tira das rodas de conversa. Consigo acompanhar o ritmo das pessoas sem precisar forçar uma paixão que não tenho. Enquanto a maioria se liga na TV, eu prefiro o silêncio e a companhia de um bom livro.
O ápice desse meu desinteresse foi nesta semana: acabei pegando no sono no meio da leitura e tive um sonho bizarro assistindo ao jogo da seleção — coisa que, obviamente, eu não fiz acordada. No sonho, eu tentava decifrar a tática do técnico usando teoremas matemáticos e equações complexas, enquanto a torcida na arquibancada gritava fórmulas em vez de incentivar os jogadores. Acordei assustada, grata por voltar para a calmaria das minhas páginas e sem a menor ideia de quanto tinha sido o placar real.
Não estou nem aí se me acham alienada por não vestir verde-e-amarelo ou por não sair soprando corneta por aí. Mas, se for obrigada a torcer, é claro que, como brasileira que sou, torço para a gente ganhar — nem que seja só para calar os linguarudos que desdenham do Brasil.



