T R A D U T O R

12 de fev. de 2026

RÉVEILLON DAS ESTRELAS


Meu pai sabia que Búzios era o lugar que eu sempre quis conhecer e, na passagem do ano de 2024 para 2025, qual foi o presente que o velho me deu? Combinei com minhas primas e viajamos a tempo de aproveitar o restinho de sol na piscina do hotel que meu pai escolheu. Que lugar gostoso era aquele! Ninguém para criticar nossa risada, o que pedíamos para comer e as saídas que dávamos quando uma de nós resolvia dar um rolê na cidade. Jamais esquecerei as amizades que fizemos, os petiscos que provamos e os passeios de barco que aceitávamos quando nos convidavam. O café da manhã, meu Deus, como era legal! As refeições principais e o pessoal do hotel que vivia nos paparicando como se fôssemos alguém importante marcaram muito em mim. Foram três dias maravilhosos, conhecemos praias lindas como Geribá, a mais badalada por causa do surfe e o agito dos jovens queimados de sol; Ferradura e João Fernandes/João Fernandinho também são ótimas para famílias e mergulho por conta das águas calmas e, se me perguntar se eu mergulhei, é claro que respondo que sim. Como declinar do convite daquele gato que, se me olhasse com outros olhos, talvez me mudasse para Búzios no dia seguinte (só que não).  Nosso retorno para casa foi muito bom, mas lembrar daquele lugar como se fosse hoje não requer esforço nenhum. Se existe cidade mais bonita e hospitaleira do que Búzios, por favor, me digam onde fica, desde que o pessoal que esteve conosco seja facilmente encontrado andando por lá.

Rô.

JÁ É, FUI!

 


      Estudei em um colégio, lá fora, onde o brasileiro, era maioria. Não do Rio onde moro, mas de outros estados. Eram eles que riam quando eu falava. — Os cariocas falam tão engraçado — diziam. De fato, a gente fala bem diferente, principalmente para quem mora em outros estados. O nosso jeito de falar já teve consideração em dois congressos nacionais. O primeiro em 1937 e o últimos em 1956. No primeiro disseram que a língua aqui é cantada, e no outro, que a língua é a mesma falada no teatro.
Olha só que maravilha que os intercambistas criticaram. Por exemplo. Dizem que trocamos a letra E, pela letra I. Que não falamos descansar, mas sim “discansar”. Não falamos tomate, mas sim, “Tomáti”. Também que trocamos a letra O, pela letra U. Ninguém aqui fala; o tomate é vermelho, mas sim. O “tumáti é vermêlhu”. Ninguém por aqui fala “biscoito de Chocolate”. Se fala, “Bixcoito" de chocolate. Não falamos; ele é muito bonito, mas sim, “Êli é muitu bunito”. A gente também faz questão de colocar um i no final de certas palavras, como três, arroz e Paz. Então ficam assim, “treix, arroix e Paix”. Tem outras que fazemos questão de colocar o U onde não tem como a palavra doze. Aqui se fala “douze”. Outra coisa, a gente dobra o som do R quando a letra vem antes de uma consoante, como porta, carne e carta. A gente faz questão de dizer “Porrrta, carrrne e carrrrta”. Isso com isso que os garotos da sala zoavam com a minha cara. O legal disso tudo é que falamos as consoantes melhor do que todo mundo, isso é, damos destaques a elas como se abríssemos muito a boca para falá-las. Não deve ser inveja não, mas que tenho orgulho de falar assim, desse jeito, tenho sim.

7 de fev. de 2026

FÉRIAS DE CARNAVAL

 


    A grandeza do desfile das escolas na Sapucaí é incomparável. Ali, discussões e empurrões tornam-se irrelevantes perto da alegria de um povo que trabalha até 12 horas por dia em troca de 'merreca'. É revoltante ver a inflação corroer o salário enquanto o governo assiste passivamente; se sabem que o valor vai cair, por que não se antecipam no reajuste? Mas, voltando ao assunto, se as férias descansam o corpo, a festa alimenta a alma. Nos dias em que fui assistir ao desfile, confesso que o saldo foi positivo, apesar dos momentos de tensão, lidei com beijos não permitidos, abraços forçados e cantadas invasivas. Precisei xingar e até ameaçar chamar a polícia em um dado momento. O fato de uma mulher gostar de se sentir admirada não dá a ninguém o direito de ser atrevido ou violento. Uma coisa é o prazer de ser olhada; outra, completamente diferente, é a invasão de espaço que não permitimos e com a qual jamais concordaremos. A experiência marcante do ano passado só foi possível graças aos contatos do meu pai, que conseguiu os convites para o camarote. Meu trabalho agora é convencê-lo a me deixar aproveitar as próximas noites, uma vez que os convites ele já os tem.

4 de fev. de 2026

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO.

 




         Algumas pessoas falam sobre mim, me qualificam como indecisa, como se eu me importasse. Na realidade, sou bastante indecisa, nem sempre tenho certeza sobre o que gosto ou desejo realizar. Algumas vezes, acredito que sou alienada ou algo do tipo. Admiro com paixão o mundo onde vivo, a vida que tenho e a natureza que me sustenta. Quando tiro para pensar, eu penso demais, imagino demais, analiso demais, concluo demais e, em poucos minutos, mudo de opinião. Diariamente surgem novas ideias em minha cabeça, o que me faz compreender que sou constantemente inconstante. Também, gosto de falar sobre coisas que as pessoas não se importam. Quando começo, só paro quando alguém me belisca. Estou pouco me importando com os assuntos fúteis que circulam entre as garotas, se eles não conduzem ninguém a lugar algum. Na verdade, eu gosto de ser dessa forma. Não me preocupa muito se isso faz com que as pessoas se afastem de mim. Não mesmo!
Possivelmente, não tenho certeza do que desejo para minha vida, afinal, quem sabe, com a idade que tenho? Na minha idade, você tinha certeza?
Em algumas ocasiões, penso que posso ter um surto com essas pessoas ao meu redor. Essas que se vão e reaparecem a cada instante. Eu também sou assim. Tem vez que acho a escola boa demais e, ao mesmo tempo, muito ruim.
Pronto, senhora analista. Falei tudo, conforme a senhora pediu!

30 de jan. de 2026

VAI DORMIR, SEU BÊBADO!

 


     Talvez o Sr. Antônio, o Bunda-de-macaco,  não soubesse que carnaval é em fevereiro e não o ano todo. Oh!, vontade de abrir a janela e gritar: — “Para com essa barulhada aí, o Bunda-de-macaco do cacete
!!
!”
Gente, todas as noites é a mesma ladainha. Esse sujeito enche a cara e, ao chegar a casa, desanda a cantar. Não satisfeito, pega um balde e “toca” o resto da noite. O pior é que o prédio, assim como o bairro inteirinho, não dorme com a barulhada! Quero lembrar que a casa dessa pessoa dá fundos para o meu prédio. Ele afirma que só canta e só toca quando bebe, quer dizer, todos os dias. Isso é para não ouvir o esporro que vai levar da mulher — segundo ele diz. — Sempre que bebo, ela solta os cachorros! Dona Sissi, a mulher do cachimbo, não tem paciência nenhuma com o pobre marido. Ao invés de conversar com ele dentro de casa, não. Prefere brigar do lado de fora. Não tem sono, por melhor que seja, que possa resistir. Se eu fosse um pouco mais corajosa, abria a janela e gritava: — “Bunda-de-macaco, seu filho da pu**. Para com essa
po
*** ou vou chamar a polícia, seu babaca!!!”
Infelizmente, só penso e não falo.