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segunda-feira, março 04, 2024

FAMÍLIA & FAMÍLIA.

 




Meu pai pode entrar e sair em qualquer lugar que quiser, menos minha mãe. Minha mãe não se arrisca devido à famosa cultura brasileira. Papai é alto, 1,80m, branco, olhos claros. Papai é alto, tem 1,80m, é branco e tem os olhos claros. A mamãe, que nem se encosta no ombro dele, é pretinha, quer dizer, é preta, mesmo. A cor da minha pele deve ser cinza, uma vez que sou filha de um casal de branco e de negra. Se não for, pelo menos eu acho. Meu pai é tranquilo e minha mamãe, explosiva. Se alguém se recusar a permitir a entrada, ela solta os cachorros. No entanto, papai, por sua vez, ninguém, nem olha para ele e se o fazem, é para cumprimentá-lo. Já vi muitos adultos serem barrados na entrada de um estabelecimento, mas as crianças não, nunca vi, nem mesmo de cor. Possivelmente, eu possa ser sorteada. Já Minha mãe foi reprovada e eu estava presente para testemunhar. Compramos alguns produtos para o Natal num supermercado. O meu pai levou as sacolas para o carro e voltou para buscar as que estavam conosco. Ele não ficou surpreso ao ver o segurança revistando as sacolas que a mamãe carregava, mas eu não. Não só fiquei surpresa, como avancei no sujeito. - Qual é o problema com às bolsas? Você acha que há um ladrão aqui? Aqui não tem ladrão não moço! — Estava com raiva, então perguntei: — O senhor revistou o meu pai? A revista deveria ter sido realizada porque ele também tinha uma quantidade grande de bolsas. Mas eu sei porque, é porque ele é branco, não é? — eu não choro na frente dos outros, mas naquele momento não deu. Meu pai afastou-se dos curiosos e, por pouco, não esfregou os comprovantes de pagamento na cara dele. Mamãe havia entrado em contacto com a polícia que depois nos levou à delegacia onde o advogado do escritório do meu pai estava à nossa espera… Enfim, tudo explicado. O papai até perdoou, mas a mamãe e o advogado não e como ele disse, duvido que o juiz os perdoe. O doutor estava certo, caso contrário, não teríamos uma televisão de alta definição na parede e um carro novo na frente da residência.

quarta-feira, fevereiro 28, 2024

MONTEIRO&MILLÔR

 


            Adoro Monteiro Lobato, não por inspirar meu pai ou por me fazer dormir com a vovó sentada à minha frente, contando histórias. Posso citar qualquer uma delas aqui, mas prefiro homenagear meu avô por conhecer e se tornar amigo de Millôr Fernandes. Li muita coisa desse brasileiro, tem uma história que guardo com carinho e, como é a preferida do meu avô, eu vou contá-la, mas com as minhas palavras. É a história de um homem que, após sua morte, tentava entrar no céu, mas São Pedro não permitiu:
— O senhor não pode entrar, disse São Pedro!
— Como não posso entrar? — Perguntou o homem — se eu tenho folha corrida de bons antecedentes, e são bons antecedentes mesmo!
— Sei — disse São Pedro — mas no céu ninguém entra sem cavalo — disse ele.
E o homem, não podendo argumentar com São Pedro, voltou. No caminho, encontrou um amigo de muitos anos, a quem perguntou aonde ele ia. Disse o amigo que ia ao céu. Ele explicou então que, sem cavalo, “neca”, nada feito. — Você não vai entrar, assim como eu não entrei, mas resolveu sugerir ao amigo:
— Olha aqui, meu amigo. São Pedro já está velho. Você fica de quatro, eu monto em você. Ele não percebe nada porque já está velho, míope e nós entramos no céu numa boa, entendeu?
E assim fizeram. Na porta, o Santo Homem olhou o nosso herói:
— Opa, você de novo? Ah, conseguiu um cavalo, hein? “Muito bem! Amarre aí fora e pode entrar”.
Millôr escreveu esse conto que o meu avô conta elogiando o amigo. A moral da história ele nunca me disse, mas eu, cá, poderia dizer: — "Acho que Burro não entra no céu, por isso o amigo ficou, amarrado, do lado de fora".
Pronto, contei. Não com os encantos que meu avô conta, mas contei assim mesmo.

sábado, fevereiro 24, 2024

ASSIM EU NÃO QUERO.

 


         Nem todos têm conhecimento de que eu desejo um homem, assim como meu pai, para me casar. Não falo para satisfazer a vaidade ou para atrapalhá-lo, mas sim para compreenderem que a mulher não pertence ao homem com quem se casa. Eu, por exemplo, não pertencerei ao homem que eu escolher para marido. Só serei sua esposa, não sua mulher. Mulher, a gente é de si própria e não de outra pessoa. Meu pai também fala errado, mas ele é um cavalheiro, pode falar desse jeito. Lá em casa, os dois são iguais e nenhum deles se acha melhor que o outro. Quando terminei o meu pai estava com o braço sobre meus ombros e minha mãe, que depois de olhar para mim abaixara a cabeça para esconder o riso, não se conteve e acabou gargalhando. Ao perceber que papai também ria eu relaxei e acabei rindo com eles. Ríamos pela "idiotice" daquela conversa e, não satisfeita, futuquei mais fundo a mesma ferida. — "Do jeito que andam as coisas, logo estaremos de volta às cavernas, mas dessa vez, somos nós, as mulheres, quem levará os homens, pelos cabelos, de volta para casa". Eu achava que isso fosse mais engraçado, mas estava enganada. "Na verdade, com tantas leis nos protegendo, logo seremos nós, as mulheres, quem sairá para a caça enquanto o lado forte da corda cuida da casa e dos filhos. Eu ainda não conheço o mundo que minha mãe conhece desde menina, mas também não gosto deste que estão preparando à minha geração. Chega de ouvir dizer que a mulher é a parte mais fraca da corda. Que ela, quando tem qualidade, pode caminhar atrás de um grande homem. Chega de cheirar as costas deles, mesmo se tratando de rei. Ou será que alguma de nós já fez guerra algum dia? Será que engravidamos, geramos, tivemos filho e na hora de registro negamos o direito dele usar nosso nome e só eu não fiquei sabendo? Não, claro que não. Isso é mérito dos homens, daqueles que, mesmo se tratando de um grande idiota, andam na frente de mulheres geniais, como são minha mãe e certamente minhas avós e outras mulheres, como eu algum dia, quem sabe? Chega de tudo isso, mas, por favor, não mexam mais para não mudar o cheiro. (Se mexer muito, pode desandar) Esse tempo assim, mexido, não é o que eu quero para mim, exceto se parem de apimentá-lo. O que eu quero é a mulher caminhando ao lado deles, ganhando o mesmo salário quando fizer o mesmo tipo de serviço que, certamente, faremos em menos tempo e muito melhor, fora o charme e o balanço que damos aos movimentos, quer dizer, que vocês dão aos movimentos, já que são mulheres há mais tempo".
É isso o que eu quero para mim, entendeu, papai? A senhora me entendeu, mamãe? Então, é isso...
(Desandamos a rir, abraçados mutuamente).

quarta-feira, fevereiro 21, 2024

FAÇA AMOR NÃO FAÇA GUERRA.


Ainda há purpurina espalhada para todo lado, como nas roupas e nos corpos da gente. Também há uns marcos bem importantes que, este ano, coincidem com o carnaval e ficam rolando na cabeça da gente, como o dia mundial do rádio e o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Esses são os destaques na semana de 11 a 17 de fevereiro. Eu, que falei na menina na ciência, podia aproveitar e falar um pouquinho do que fiz nesse carnaval, mas não falo. Como falar em risos e alegria quando há uma guerra rolando entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza? E a Rússia invadindo a Ucrânia? Isso para não confundi-los, apontando os conflitos armados que acontecem em Burkina Faso, Somália, Sudão, Iêmen, Myanmar, Nigéria e Síria, como meu pai acaba de me dizer ter lido nos jornais. Viram por que não falo de felicidade? Mesmo que a semana nos favoreça, a nós, mulheres e meninas da minha idade, e eu tenha me divertido de montão, não me sobraria tesão para falar sobre isso. Desculpem, mas é assim que aprendi a pensar e, caso eu esteja errada, por favor, não me apontem seus dedos, porque, mais hoje ou mais amanhã, o meu pai, que é uma pessoa presente na minha vida, se incumbirá de fazê-lo. Ai, sim, com a maior humildade, eu volto e lhes peço perdão.


terça-feira, fevereiro 20, 2024

PEQUENA DEMAIS...

 

Eu me lembro, com detalhe, dos carnavais que passei na infância e o que eu mais me recordo é dos meus pais não me levarem à matinê em que rolasse baile de carnaval para crianças. Também me lembro de jamais me vestirem de Bailarina, unicórnio ou colombina e, se pintar a cara e enrolar serpentina no pescoço, é considerado estar fantasiada, então eu estava. Em compensação, me deixavam ficar lá embaixo até tarde na entrada do nosso prédio. E mesmo eu morria de medo dos mascarados, eu ficara. E quando algum me olhava, eu disfarçava e corria para dentro do prédio onde a gente morava. Era de lá, da portaria, que eu via a rua onde todos se divertiam. Nas mãos, segurando junto ao peito, eu trazia um saco de confetes e alguns rolos de serpentina. Era para eu jogar nas meninas e nos meninos que por ali passassem, mas não joguei em ninguém. Talvez por falta de sorte, nenhum passou enquanto lá eu estive. Só de lembrar que, mesmo eu ali, de pé, quietinha, sem brincar, eu me dava por satisfeita, talvez tanto ou mais do que aqueles que passavam gritando e pulando a dois passos de mim. Olha os meus olhos! Como ficam molhados, não de tristeza, mas da alegria que eu sentia e sinto, lembrando aqueles momentos. Hoje eu já posso fazer o que não me deixavam naqueles dias, além de ficar lá embaixo sem participar. Hoje, como eu disse, eu posso e até vou, nesses bailes, mas não pulo e não grito do jeito daquela gente quando eu era pequena. Tão pequena que, como disseram, nenhuma fantasia servia para mim.

domingo, fevereiro 18, 2024

VAGABUNDA É A MÃE!

 


Durante a semana eu brinquei, sorri, conversei com pessoas que nunca imaginei conhecer e até chorar, chorei e, se depender vestir luto eu visto quando preciso chorar. Chorei ao recordar-me da minha mãe dizendo que não era possível comprar uma fantasia para que eu desfilasse no bloco do bairro quando era criança. Já o ódio, esse foi quando a religiosa me chamou de vagabunda ao me ver de salto alto, saia curta e top apertando meus seios. Quanto à felicidade, tudo bem, eu fui e continuo assim, do meu jeito. Agora, religiosa me chamar de galinha devido à roupa é demais! Pô, gente! Eu sei que falta muito para os meus 20 anos, mas dos 15 há muito já deixei para trás. Ah! Mas de uma coisa eu garanto, não por orgulho, e muito menos com vergonha eu digo: "eu ainda sou virgem". Duvido que a religiosa ainda o fosse nessa idade, duvido! Nada contra quem tenha perdido o maldito grilhão que nos prende a preconceitos. Não entro no mérito, mas vocês, que também são mulheres, entendem do que estou falando. Nada contra, mas se aconteceu, que fosse com quem você quis ou com quem você acreditou ter amor. Nesse caso, não dê por perdido o que você deu por vontade ou por amor. Eu não tive ou senti nada disso, ou, com certeza, me desvencilhava dessa coisa rapidinho. Mesmo que fosse preciso mentir ou burlar a lei, eu o faria para, mais tarde, não precisar ir à rua chamar as garotas que vestem saia curta e salto alto de vagabundas.

sexta-feira, fevereiro 16, 2024

SAUDADE

 


Sabe aquela rotina que duas amigas tinham e que, de repente, é interrompida? A gente sempre espera encontrar a outra naquele lugar, na mesma hora de sempre e quando você vai, ninguém está lá à sua espera? Na hora em que costuma ligar, o telefone simplesmente não toca para que eu possa ouvir sua voz me cumprimentando. Nós tiramos essas fotos, que estou segurando, e só agora estou vendo como você ficou bem! Infelizmente, precisei te perder para ver toda a sua beleza, minha amiga! Às vezes, eu acho que podia ter falado mais vezes, durante mais tempo, que podia ter feito alguma coisa diferente, ainda que não tenha feito nada de errado. Enfrentar a morte é um processo que exige um tempo muito grande, tempo para entender a lidar com o vazio que fica na gente. E eu perdi esse tempo. Jamais havia pensado no quanto é dolorido perder alguém, imagina a pessoa de quem você gosta, que você ria com ela e a quem tudo você contava sem esconder coisa nenhuma. Eu sei que o mundo não para, que os segundos correm e o tempo passa. Fico mais triste por isso, pela certeza de que não haverá mais tempo para nós. Eu vou sentir falta das risadas que você dava quando o piu-piu pregava peça no frajola. Falta daquela mão boba roubando pipoca do meu pacote enquanto o desenho rolava na minha tevê. De hoje em diante, minha amiga, eu te prometo, eu vou me preocupar mais em fazer pelos outros o que eu nem faço por mim. Nesse momento, por exemplo, o que eu queria era ter mais tempo para chorar, mas você não me permitiria. Você só fica feliz quando eu rio de alguma coisa e até de você, dos outros ou mesmo de mim. Você sempre me disse que só fica feliz quando sabe que eu estou bem. Então, tá, minha amiga. Descanse, porque eu estou bem. Quase muito bem. Podes crer!

terça-feira, fevereiro 13, 2024

QUANTO RISO, QUANTA ALEGRIA...

 


Já brinquei carnaval nos lugares onde, na verdade, eu não sabia o que estava fazendo. Mentira, eu sabia sim! Sabia porque estava curtindo a liberdade que a vida nos dá nesses dias, por isso me diverti tanto. Dormir, eu dormi pouco, mas ria muito, com ou sem motivo. Beijar eu bastante e achava que o que estava fazendo era certo. Até hoje não sei se era certo ou errado, porque tudo era festa de carnaval, inclusive na música que estava rolando, eu ouvia "ninguém era de ninguém e ninguém era meu também". E eu, nesses 3 dias, também não era. Beijei garotos que nunca tive a oportunidade de ver antes, abracei garotas que me falaram coisas inacessíveis e fui abraçada por homens com a idade do meu pai, mas que só tinham a idade dele, se o resto não fosse sacanagem. Meninos da minha escola correndo atrás dos beijos que não tiveram, mas, como era carnaval, deixei uma palhacinha, muito parecida com a minha professora de matemática, me dar uns amassos, mas não do jeito que ela queria, porque, segundo gritava no meu ouvido, — é carnaval, meu amor!!!
   Hoje, que pena, já é quarta-feira. Quarta-feira de saudade. De saudade, arrependimento ou cinzas, não sei. Já meus pais, estes, saíram bem cedo, cada um em direção diferente, só eu continuo deitada, mas sem fantasia, sem confete e sem as serpentinas. Na cara, ainda o sorriso de quem fez o que era certo, ou seria errado, eu mantenho no rosto. O problema é negar o que fiz, não a mim mesma, mas aos que, por ventura, ligarem o nome daquela maluquinha à minha pessoa.

segunda-feira, fevereiro 12, 2024

ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO.

 


              Minha mãe achava meu pai muito cansado. Discordei por ele ser jovem e não demonstrar cansaço, mas sei do que ela pode fazer quando quer viajar. — "Salvador" — disse ela. — "Vamos a Salvador. Lá a gente tem segurança e é um bom lugar para descansar". —Minha mãe pensa que a gente é boba. Como descansar se lá, como cá, também é carnaval? Mesmo assim, partimos no dia seguinte. — "É ali!" — Disse mamãe, apontando o letreiro: “Pousada Suítes do Pelô”. Olhei para a cara do meu pai, que não disse nada além de piscar um olho e sorrir para mim. Não era relevante os restaurantes deliciosos, os banhos de mar que tomamos e as igrejas que mamãe nos levou para visitar, mas sim a felicidade que percebi no rosto dela, especialmente quando Ivete Sangalo passou em um trio elétrico, arrastando toda a cidade, incluindo minha mãe, eu e meu pai. Passamos três dias naquele local e, para a felicidade de "alguém", Veveta permaneceu ali por três dias. Eu não muito, mas ao chegar a casa, papai e mamãe estavam um verdadeiro bagaço e olha que a viagem era para descansar. Imagina se não fosse. Meu pai, coitado, talvez seja, mesmo, o banana que ela diz que ele é quando briga com ele, pois, se não fosse, há muito já teria desistido da gente, quer dizer, dela. Com a mesma cara com que ele soube que a gente ia viajar, ele voltou para casa. Meu pai é fora de série. Dizem que, há cinco séculos antes de Cristo, existia um cara de nome Jó que era justo, fiel e paciente, mas quem é tudo isso, pode até ter sido essa pessoa, mas que o meu pai é mais que isso, ah! Isso ele é.  

quarta-feira, fevereiro 07, 2024

É CARNAVAL, MINHA GENTE!

 


Após a leitura de um dos meus textos, foi dito que sou descolada. Sim, sou, sim, mas não muito. Talvez não tão esperta, mas boba também não sou. Por que fala isso, Rô? Alguém há de perguntar e eu hei de responder dando um exemplo: sabe aquela amiga que não sai da minha casa? Pois ela tem me chamado para ir a um baile com ela e, mesmo não entendendo nada de dança, eu fui. — “É baile de carnaval, sua boba. Basta mexer com os braços e com as pernas que você já está dançando”, ela disse. Meu leitor me falou que eu sou descolada e eu concordei. Concordei, mas não devia. Não devia porque ela me deixou no salão e foi com um cara, sabe Deus, para onde. A música rolava, o povo “dançava”, e eu ali, mexendo com os pés e os braços sem sair do lugar. Os foliões, que passavam, tanto homens como mulheres, puxavam papo comigo, mas eu os evitava. Fingia não ouvir as cantadas. Não sei o que viam em mim, se peito e bunda grandes eu não tenho para me chamarem de gostosa, mas chamavam. Fiquei meia hora ouvindo essas coisas e ela nada de aparecer. Se fosse para ficar sozinha, eu nem teria saído de casa. “Ah, finalmente você voltou!!!” Eu gritei para ela. “Mas, o que você fez para estar despenteada, sem pintura na cara e a saia toda molhada na frente, você pode me dizer?” — rosnei olhando na cara dela, que, na maior descaramento, respondeu que aceitara a bebida que um cara, que mais parecia um deus greto, lhe ofereceu. Quando ela acordou, estava nua, deitada numa cama grande ao lado dele. O pior, disse ela, foi a vontade de rir que ela sentia. Estava feliz e não sabia por quê! — “Pior é não saber como fui parar naquela cama com um cara que não via há tantos anos” — concluiu. — Mas como assim, se você mesma falou que iria se encontrar com alguém, quer dizer, com esse cara? Você sabia do risco que estava correndo, não sabia? — perguntei. — “Pois é. A gente estava conversando e, de repente, eu estava lá, transando com ele. Só me lembro de ter tomado um pouquinho de cerveja e mais nada”.
Essa minha amiga, sim, é que é descolada, enquanto euah! Eu não passo de uma suburbana, burra e preconceituosa. Preconceituosa por achar errado o que ela fez, se estava tão feliz como deixou parecer. — “Você é que é boba, garota. Fica aí, falando nos pais, nos professores e não se diverte. Olha, minha amiga, o que se faz em Vegas, fica em Vegas” — Ela, me olhando com aquele olhar nojento de quem estava esbanjando felicidade, falou com as mãos para trás, girando para um lado e para outro como se fora criança.

domingo, fevereiro 04, 2024

ANTES E DEPOIS

 

       


      Quando eu era criança, acreditava nos contos de fadas que eu lia e que liam para mim. Hoje eu leio a realidade!
Quando eu era pequena, usava tranças com laços de fita. Hoje eu ando por aí, livre, sem as tranças roçando os meus ombros!
Antes, eu era ansiosa e vivia zangada, reclamando de tudo. Hoje eu não reclamo de nada, mas continuo da mesma maneira, a mesma!
Amigas, para ser verdadeira, eu confesso que não tinha. Tinha colegas. Hoje eu ainda tenho, só não sei o que tenho.
Quando menina, eu vivia chorando. Hoje eu até choro, mas rio mais do que antes!
Eu tinha consciência de que não era nada, não tinha nada, me julgava uma pessoa desagradável e ninguém gostava de mim. Felizmente, hoje eu descubro que, para muitas pessoas, eu sou importante e até morreria de amor por aqueles que gostam de mim!
Antes, quando era criança, eu não amava ninguém, mas, atualmente, não só amo a todos, como até morreria por eles e também por aqueles que eu amasse.
Inveja eu acredito que ninguém tem de mim, hoje, mas naqueles tempos, não sei.  O que eu sei é que hoje ninguém tem inveja. Eu mudei. E mudei muito. Talvez porque tenha crescido!