T R A D U T O R

10 de mar. de 2026

SEM DIVISÕES

 


    Bater nos 18 anos me deu um choque de realidade: meu futuro é 100% responsabilidade minha. Rola uma pressão bizarra para a gente viver um “romance de filme”, mas, sendo sincera? Meu coração bate forte mesmo é pelo meu diploma. Escolher não namorar agora não é frieza, é o maior surto de amor-próprio que eu já tive. 
  Eu entendo que um relacionamento exige uma entrega que, no momento, eu só quero ter com os meus livros. Estou na fase de mergulho total. Cada hora de estudo é um tijolo na construção da mulher independente que eu planejo ser. Namorar é lindo, sim, mas exige um tempo que eu simplesmente não tenho sobrando. Se eu tentasse me dividir agora, ia entregar um “pela metade” pra faculdade e pro @, e eu não sou de fazer nada meia boca.
  Além disso, estou amando a minha própria companhia. Quero descobrir quem eu sou sem tentar agradar ninguém além de mim mesma. Quero viajar nos livros, virar noites focada e comemorar cada nota alta sabendo que foi mérito meu. Isso não é solidão, é preparo. É criar uma base tão sólida que, no futuro, eu não precise de ninguém pra me completar, só pra somar. 
   No fim, escolher minha formação é escolher minha liberdade. O amor pode bater na minha porta em qualquer esquina, mas as oportunidades de agora são únicas e passam voando. Meu “relacionamento sério” hoje é com o meu futuro. Tenho certeza que a minha versão graduada vai me agradecer demais por eu ter tido a coragem de me priorizar hoje.  

5 de mar. de 2026

ENTRE O CÉU, O CHÃO E O PÂNICO.





       Gente, para tudo! O inimigo tentou, eu pipoquei não uma, mas DUAS VEZES, mas o juramento foi pago! O blogueiro, meu amigo, prometeu que me levava pra saltar de paraquedas e, contra todas as probabilidades (e o meu cinto de segurança mental), ele não desistiu de mim. 
   Confesso: o pavor era real e eu quase dei o migué supremo, mas hoje finalmente deu bom! Foi surreal, a adrenalina é bizarra, mas se quiser me chamar de novo… por favor, me erra!  A vida aqui embaixo já é humilhação o suficiente, pra que facilitar pro azar, né?
   Na moral, esse cara é corajoso ou só não tem noção mesmo? Pular daquela altura e só abrir o paraquedas chegando no chão? Amigo, você não tem mãe, não? Coitada daquela santa! Enfim, valeu pela experiência (e pelo trauma leve kkk). Ninguém me tira o misto de pavor, coragem e o puro arrependimento de ter prometido isso. Valeu demais, seu louco! 

28 de fev. de 2026

O SILÊNCIO POR TRÁS DA JANELA

 



        O susto veio de repente: ele sentiu que não estava bem. Foi ao médico que o mandou à mesa de cirurgia. Seguiu-se uma fisioterapia lenta e penosa, mas quando parecia que o pior havia passado, surgiu a necessidade de uma nova intervenção, ainda mais delicada. A cirurgia, tecnicamente, foi um sucesso; o problema, foram as complicações pós-operatórias. Uma sequência de infecções oportunistas o manteve confinado ao hospital por 17 dias intermináveis.
Hoje, ele está recuperado, pelo menos tenta provar, mas carrega o peso do julgamento alheio. Amigos e parentes não perdoam o seu sumiço, ignorando que o silêncio era a sua forma de lutar. Ele nunca foi de dividir o fardo; quando o estado era crítico, ele se calava. Quando falava, mentia por pudor: “Está tudo beleza”, dizia, enquanto o corpo tentava se reconstruir.
Por isso, minha alegria foi imensa quando ele decidiu, finalmente, “pôr a cara na janela”. E ele não apenas gritou que estava bem; ele provou. Ver sua vitalidade de volta é o melhor atestado de cura que ele poderia apresentar. Que bom ter você de volta, meu amigo! Que bom!

24 de fev. de 2026

A NOITE QUE SE FEZ LUZ: UM RELATO DE CORAGEM.

 



 
  Queria publicar este texto, Rô, mas não o farei para não assustar meus leitores. Se não se importar, publique no seu, mas não diga meu nome. Obrigado, te amo e, como você costuma dizer: tamo junto!
                     
  
  "Enfrentei o bisturi por duas vezes e enfrentarei outras duas nos próximos dias. Tudo sem maldizer a sorte ou questionar o destino. Fiz e farei do meu recolhimento um santuário pessoal, falando apenas a língua da cura e do silêncio que restaura.
Mesmo no auge da fragilidade, quando as rédeas da vida mudaram de mãos, o sorriso não se despediu do meu rosto. Fiz questão de que o brilho nos meus olhos fosse a imagem mais viva de esperança para quem me olhasse.
Aos que caminham comigo, reafirmo: amei e amo cada um com a entrega de quem sempre deu o máximo. Não por dever, mas por um amor que se antecipa, que lê os desejos e preenche os vazios antes mesmo que algo seja pedido. Se a vida me conceder o amanhã — e o depois —, eles serão, como sempre foram, inteiramente dedicados a vocês. Minha coragem é a minha maior entrega".

 (Não resisti ao pedido do amigo e acabei publicando).



20 de fev. de 2026

CINZAS

 


    A melhor Quarta-Feira de Cinzas da minha vida não teve nada de “cinza”, mas daquele pozinho brilhante que insiste em não sair do corpo da gente. Isso teve bastante. E aquele som da bateria gostoso que não me sai da cabeça. Não sabia que de perto contagiasse daquele jeito. Pela manhã, acordei com o sol lambendo meu rosto e eu não tinha pressa nenhuma em me levantar. Essa quarta-feira foi o marco da liberdade para quem tem a idade que tenho: imagina sobreviver à maratona dos desfiles que, querendo ou não, leva uma noite inteira, a madrugada e uma parte da manhã seguinte. A mistura de sensações é o que torna esse dia o melhor de todos. É como ressaca, mas não de bebida ou de drogas, mas de alegria. Satisfação de ter gastado, da melhor forma possível, cada gota de energia. Imagina a pessoa abrir a galeria do celular e ver que os vídeos que fez estão todos borrados, que as risadas com gente que nunca viu antes se tornaram melhores amigos por cinco ou dez minutos. E aquela luz maravilhosa na ponta da Sapucaí quando amanhece, hein!
De qualquer forma, tento e levanto, tomo um suco e saio para me despedir da turma que me espera sentada lá fora. É o encontro dos Resistentes: o encontro da despedida — e a gente sabendo que, mesmo a festa tendo acabado, a nossa energia é a mesma de três dias atrás.
O Carnaval não é só festa, como costumam falar, mas um rito. Para mim, por exemplo, foi o batismo da maioridade.
Quarta-feira de Cinzas é quando notamos que o ano não começou, mas continuamos com a força que só quem brincou os três dias entende. É a certeza de que, no próximo ano, tudo se repetirá, mas você nunca sentirá as mesmas emoções que hoje.