T R A D U T O R

20 de mar. de 2026

A DOR DO QUARTO LUGAR

 



       Fui para São Paulo com meu pai na maior expectativa de ver a Larissa (nossa "Fadinha"!) dar um show no Ibirapuera. Mas, infelizmente, não deu: ela acabou perdendo para a "japonesinha", amargando um quarto lugar.     
     O problema foi quando o pessoal da faculdade soube que chorei junto com a nossa skatista; elas simplesmente racharam o bico da minha cara. Acharam engraçado um fã chorar, não pela vitória, mas pela derrota. Fiquei puta da vida! Quando contei a situação para o meu pai, esperando um apoio, ele não aguentou e riu da minha indignação com as meninas. "Até você, pai?", pensei.     
     Por mim, não contava mais nada nem para ele, nem para ninguém. Mas, como ele é meu pai e meu amigo, e elas são colegas de curso, tive que engolir esse sapo. Sério, será que sou só eu que sinto a dor dos outros? Que rio com a alegria alheia e torço tanto que a derrota dói na alma? Às vezes, parece que ter empatia virou motivo de piada, até para quem está do nosso lado. No fim, sigo sendo essa pessoa que torce com o coração, mesmo que o mundo prefira rir do meu choro.

15 de mar. de 2026

ENTRE O GALEÃO E O SKATE PARK

 



           "Qual é, Larissa? Relaxa, cara! Você é surreal, esquece isso!", eu falei, tentando manter o foco, mas por dentro eu estava arrasada com a situação. A japonesinha de 14 anos foi bem, beleza; mas ver a nossa Fadinha fora do pódio, por um detalhe, foi de partir o coração. Na hora de falar com ela, tentei ser o mais sensata possível:    
— Você continua sendo a dona da pista, mesmo em quarto lugar; todo mundo sabe que você é a melhor, garota!     
    Mas a questão é que, quando o avião pousou no Galeão e eu pisei no Rio, a ficha caiu de verdade. No ônibus indo para casa, olhando as praias, me deu um vazio que não cabia em mim. Comecei a chorar real, sem drama. Logo hoje, Dia da Mulher, a gente querendo ver a nossa garota no topo e o destino faz uma coisa dessas?
     Fiquei imaginando o aperto no peito da nossa Fadinha. É muita pressão, sabe? Ver o título escapando na frente de todo mundo logo nessa data... Gente, não foi fracasso, foi falta de sorte, mas dói do mesmo jeito. Chorei mesmo, não estou nem aí, porque, no fundo, toda carioca sentiu que caiu junto com ela naquele "Skate Park" paulista.   
    No fim das contas, entendi que o choro não era só pelo troféu que não veio, mas por saber que, para nós, ela nunca perderia a coroa. Sequei o rosto antes de descer no ponto, respirei fundo, abraçada ao meu pai, e percebi que ser mulher e brasileira é exatamente isso: cair, levantar e continuar sendo "braba", mesmo quando o resultado não é o que a gente esperava. A Larissa Leal continua sendo a nossa maior referência, e o Rio vai estar sempre aqui para aplaudir cada manobra, no pódio ou fora dele.

10 de mar. de 2026

SEM DIVISÕES

 


    Bater nos 18 anos me deu um choque de realidade: meu futuro é 100% responsabilidade minha. Rola uma pressão bizarra para a gente viver um “romance de filme”, mas, sendo sincera? Meu coração bate forte mesmo é pelo meu diploma. Escolher não namorar agora não é frieza, é o maior surto de amor-próprio que eu já tive. 
  Eu entendo que um relacionamento exige uma entrega que, no momento, eu só quero ter com os meus livros. Estou na fase de mergulho total. Cada hora de estudo é um tijolo na construção da mulher independente que eu planejo ser. Namorar é lindo, sim, mas exige um tempo que eu simplesmente não tenho sobrando. Se eu tentasse me dividir agora, ia entregar um “pela metade” pra faculdade e pro @, e eu não sou de fazer nada meia boca.
  Além disso, estou amando a minha própria companhia. Quero descobrir quem eu sou sem tentar agradar ninguém além de mim mesma. Quero viajar nos livros, virar noites focada e comemorar cada nota alta sabendo que foi mérito meu. Isso não é solidão, é preparo. É criar uma base tão sólida que, no futuro, eu não precise de ninguém pra me completar, só pra somar. 
   No fim, escolher minha formação é escolher minha liberdade. O amor pode bater na minha porta em qualquer esquina, mas as oportunidades de agora são únicas e passam voando. Meu “relacionamento sério” hoje é com o meu futuro. Tenho certeza que a minha versão graduada vai me agradecer demais por eu ter tido a coragem de me priorizar hoje.  

5 de mar. de 2026

ENTRE O CÉU, O CHÃO E O PÂNICO.





       Gente, para tudo! O inimigo tentou, eu pipoquei não uma, mas DUAS VEZES, mas o juramento foi pago! O blogueiro, meu amigo, prometeu que me levava pra saltar de paraquedas e, contra todas as probabilidades (e o meu cinto de segurança mental), ele não desistiu de mim. 
   Confesso: o pavor era real e eu quase dei o migué supremo, mas hoje finalmente deu bom! Foi surreal, a adrenalina é bizarra, mas se quiser me chamar de novo… por favor, me erra!  A vida aqui embaixo já é humilhação o suficiente, pra que facilitar pro azar, né?
   Na moral, esse cara é corajoso ou só não tem noção mesmo? Pular daquela altura e só abrir o paraquedas chegando no chão? Amigo, você não tem mãe, não? Coitada daquela santa! Enfim, valeu pela experiência (e pelo trauma leve kkk). Ninguém me tira o misto de pavor, coragem e o puro arrependimento de ter prometido isso. Valeu demais, seu louco! 

28 de fev. de 2026

O SILÊNCIO POR TRÁS DA JANELA

 



        O susto veio de repente: ele sentiu que não estava bem. Foi ao médico que o mandou à mesa de cirurgia. Seguiu-se uma fisioterapia lenta e penosa, mas quando parecia que o pior havia passado, surgiu a necessidade de uma nova intervenção, ainda mais delicada. A cirurgia, tecnicamente, foi um sucesso; o problema, foram as complicações pós-operatórias. Uma sequência de infecções oportunistas o manteve confinado ao hospital por 17 dias intermináveis.
Hoje, ele está recuperado, pelo menos tenta provar, mas carrega o peso do julgamento alheio. Amigos e parentes não perdoam o seu sumiço, ignorando que o silêncio era a sua forma de lutar. Ele nunca foi de dividir o fardo; quando o estado era crítico, ele se calava. Quando falava, mentia por pudor: “Está tudo beleza”, dizia, enquanto o corpo tentava se reconstruir.
Por isso, minha alegria foi imensa quando ele decidiu, finalmente, “pôr a cara na janela”. E ele não apenas gritou que estava bem; ele provou. Ver sua vitalidade de volta é o melhor atestado de cura que ele poderia apresentar. Que bom ter você de volta, meu amigo! Que bom!