Gente, preciso falar com vocês. É sobre o meu jeito de andar por aí, de cabeça baixa e sem olhar para os lados. Quem me vê, pensa que não quero papo com ninguém, mas não é verdade. Se você passou por mim e eu não falei, não foi por mal, juro!
Esse meu jeitinho de andar olhando para baixo já me rendeu altas fofocas. Já fui chamada de metida, de esnobe e — a melhor de todas — a mãe de uma colega que estudou comigo na quinta série jurou de pé junto que eu tinha TDAH.
Diagnóstico de calçada é outra coisa, né?
A mulher, que nunca me viu na vida, do nada virou médica e decidiu me diagnosticar. É rir para não chorar!
Olha, talvez eu até tenha um combo de tudo isso aí, mas a real é que não sou esnobe e nem tão tímida assim (pelo menos eu acho!). O nome disso é precaução, meu povo! Se eu não fico de bobeira andando na rua, já evito 90% dos perrengues e daquelas abordagens estranhas de gente maldosa.
Acho que toda garota que foi criada por pais guerreiros — daquele tipo que nadou muito para não morrer na praia — passa por esse julgamento.
Mas quer saber? Não estou nem aí. Esse meu "escudo" afasta os desavisados que querem forçar amizade. Agora, me diagnosticar com TDAH por causa da quinta série? Aí já é sacanagem! Me admira a mãe dessa menina ter tempo para cuidar da vida dos outros enquanto a dela deve estar de pernas para o ar. Quem ela pensa que é para sair rotulando os filhos alheios? Com tanta coisa para fazer, a mulher resolveu focar no meu foco!
Ah, não enche!


