Durante uma visita à minha casa, uma amiga me perguntou se a sua presença me incomodava. Questionou isso por causa da "cara amarrada" que eu ostentava — segundo ela. Gente, alguém já passou por uma situação parecida, de se descobrir emburrada sem sequer notar a expressão que fazemos quando estamos assim, chateadas? Eu, pelo menos, senti-me como um bicho desconhecido, sei lá, talvez um monstro, só de imaginar o meu semblante na hora daquela indagação. E tudo por conta de uma bobagem. Vejam só: com aquele visual eu estava, sem perceber, desperdiçando minutos preciosos da minha vida por causa de um comentário imbecil deixado no meu blog.
Não devia, mas vou responder. Não sem antes lembrar que o que faço no meu blog, fora da escola e após as minhas obrigações, é a forma que elegi para descansar. "Descansar carregando pedra", como diz minha avó. E, se elas são minhas, eu as jogo onde bem entender — ou seja, sem qualquer compromisso com a norma culta. Escrevo como quem descarrega britas no próprio quintal. Contudo, como o "Prof. Dr." ou a "Prof.ª Dra." (para não dar moral ao infeliz) fez questão de enfatizar, o que eu chamo de descontração, o indivíduo confunde com sala de aula. "Sua escrita não tem ritmo próprio!", sentenciou.
Pois saiba, meu caro ou minha cara doutor(a), que jamais deixarei de brincar com as palavras por sua causa. Afinal, o meu propósito aqui não é o mesmo que o seu. Aliás, tempo é o que não me falta para escolher, entre tantos caminhos — inclusive o seu —, a melhor forma de escrever igual ou, quem sabe, muito melhor que VOCÊ.
Quero deixar claro, evidente e sob a luz dos refletores da razão, que não sou cotista, não sou filha de alguém influente e não ganhei bolsa em troca de favores. O que sou é uma simples estudante. Daquelas que dormem sobre os cadernos e gastam sola de sapato, tempo e suor em busca do futuro que determinei para mim. Não importa se tirei nota mil na redação, se acertei 99% das questões ou apenas o suficiente para o Enem me aprovar. O que importa, de verdade, é ser a garota que, aos 14 anos e cursando o primeiro ano do ensino médio, conseguiu alcançar a meta que tracei.
Obviamente, não disse nada disso para a minha amiga. O que fiz, na realidade, foi correr ao banheiro para ver no espelho o rosto que o (a) infeliz tinha deixado em mim.

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