Pela primeira vez, assisti aos desfiles das escolas de samba na Sapucaí. Nada do que vi até aquele momento se compara à grandeza da festa e, se alguém apontar uma discussão aqui ou um empurrãozinho ali, não será nada de mais tal a alegria estampada no rosto de cada uma daquelas pessoas. Gente que levanta cedo, que trabalha de 8 a 12 horas por dia em troca de uma merreca cuja inflação corrói a cada dia do ano e não digam que o governo corrige porque não corrige. Se ele sabe que a inflação vai ser de X no próximo ano, por que não aumenta o salário antes que ele perca o valor? Mas, voltando ao assunto, eu preciso dizer que as férias são imprescindíveis para o descanso do corpo, enquanto a “festa” faz com a alma o que achar que a alma merece. Nos três dias que estive por lá, eu confesso que, mesmo com o incômodo dos beijos não permitidos, com os abraços que não permiti e até com as cantadas que me deram, o resultado foi positivo. Mesmo que eu tenha xingado e ameaçado chamar a polícia, qual mulher não gosta de ser admirada, olhada, cobiçada? Isso não quer dizer que concordamos com esse tipo de coisa, até porque a cada dia essa gente fica mais atrevida. É o que tenho para dividir hoje com vocês.
Graças ao conhecimento do meu pai, ganhamos convites para o camarote da Sapucaí. O meu trabalho é convencê-lo a me deixar ir com as meninas.


