T R A D U T O R

11 de jan. de 2026

PRAIA FEIA.

 



Entrei emburrada naquele avião. Se ele caísse, isso não ia mudar nada para mim. Por que meu pai nos trouxe para cá ao invés de ir para Fernando de Noronha, a Praia do Espelho, talvez a Praia do Forte na Bahia ou Porto de Galinhas em Pernambuco? Eu queria ver a cara das minhas amigas quando eu contasse, mas não. Preferiu essa droga que, se olhar bem, nem consta no mapa! Na manhã do dia seguinte, eu, ainda bem chateada, abri a janela. Lá fora, o sol, que acabara de nascer, refletia na areia dourada a beleza que eu não sabia que tinha o lugar. Entre a calçada e a praia, minha mãe conversava com uma mulher com quem, graças a Deus, ainda se falam hoje em dia. A partir daquele momento, as coisas mudaram e, lentamente, como quem não quer nada, eu me aproximei. Jamais poderia imaginar que, muito perto dali, havia lugares maravilhosos como os que essa mulher e o marido fizeram questão de mostrar. A virada de chave deu todo sentido à viagem. Pedi desculpas ao meu pai, que só voltou a me tratar como antes depois do primeiro sorriso que viu em meu rosto. Foi difícil ouvir mamãe afirmar que a estadia seria de cinco dias, mas após ver tudo o que nos foi apresentado, se tivesse que passar o resto da minha vida naquele lugar, eu nem me importaria.
D. Catiaho, obrigada! A senhora provou que um gesto diz mais que um punhado de palavras. Este texto, assim como o “O Diário da Rô”, só existem por sua “culpa”.


5 de jan. de 2026

TEM RAZÃO.

 



Meu pai vive dizendo que tudo é relativo, e eu, pensando melhor, acho que ele está certo. Ele diz que um fio de cabelo na cabeça de uma pessoa é pouco, mas num prato de sopa é muito.
Uma mulher pesando 120k na terra é muito, mas estando em Marte pesa 20k. Não é gorda, diz meu pai, só está no planeta errado.
Ele acredita que a mentira gera falsos amigos, e a verdade cria possíveis inimigos. Segundo ele fala, não devemos mentir para não criar falsas amizades e nem falar sempre a verdade para não criarmos inimizades.
Pensando com a cabeça dele, meu pai está certo, certíssimo. Tudo, de fato, é relativo. Muito relativo…

3 de jan. de 2026

RÉVEILLON DAS ESTRELAS


  Meu pai sabia que Búzios era o lugar que eu sempre quis conhecer e, na passagem do ano de 2024 para 2025, qual foi o presente que o velho me deu? Combinei com minhas primas e viajamos a tempo de aproveitar o restinho de sol na piscina do hotel que meu pai escolheu. Que lugar gostoso era aquele! Ninguém para criticar nossa risada, o que pedíamos para comer e as saídas que dávamos quando uma de nós resolvia dar um rolê na cidade. Jamais esquecerei as amizades que fizemos, os petiscos que provamos e os passeios de barco que aceitávamos quando nos convidavam. O café da manhã, meu Deus, como era legal! As refeições principais e o pessoal do hotel que vivia nos paparicando como se fôssemos alguém importante marcaram muito em mim. Foram três dias maravilhosos, conhecemos praias lindas como Geribá, a mais badalada devido ao surfe e o agito dos jovens queimados de sol; Ferradura e João Fernandes/João Fernandinho também são ótimas para famílias e mergulho por conta das águas calmas e, se me perguntar se mergulhei, é claro que respondo que sim. Como declinar do convite daquele gato que, se me olhasse com outros olhos, talvez me mudasse para Búzios no dia seguinte (só que não). Nosso retorno para casa foi ótimo, mas lembrar daquele lugar como se fosse hoje não requer esforço nenhum. Se existe cidade mais bonita e hospitaleira do que Búzios, por favor, me digam onde fica, desde que o pessoal que esteve conosco seja facilmente encontrado andando por lá.
Rô.

31 de dez. de 2025

UM NOVO ANO.

  


        Cada ano, a vida me ensina algo a mais. Nesse, que morre no calendário, aprendi muito mais. Conheci pessoas diferentes e algumas parecidas comigo. Fiz mais amigos. Alguns muito legais, puros de coração, mas não os tive por muito tempo. Alguns ficaram, enquanto outros gradualmente se foram. Com eles aprendi que a resiliência é indispensável, pois ninguém nasce forte, torna-se! Acho que eu poderia ser forte por mais tempo. Ser mais humana, mas não deu. Isso é o que dói fundo na minha alma, mas, fazer o quê! Neste ano, que termina, chorei algumas vezes. Chorei, mas também amei, sorri, até ignorei algumas coisas e algumas pessoas, mas o que mais importou foi a intensidade desses momentos. Por isso e somente por isso desejo a vocês e a todos, aquilo que o dinheiro não pode comprar. Que possamos ser mais humanos, honestos, sinceros e verdadeiros em nossas amizades, amando aqueles que nos amam ou simplesmente amando apenas por amar.
                             FELIZ ANO NOVO E MUITO OBRIGADA!

24 de dez. de 2025

PORQUE É NATAL

 

    Nenhum dia nos chama mais para sentir gratidão, para perdoar e para ter esperança do que o Natal. O espírito natalino nos motiva a enxergar além das luzes e dos presentes distribuídos. É quando a partilha do amor ganha significado. 
Palavras e ações que tornam o hoje um instante memorável de união e fé. 
Eu percebo em cada pessoa o despertar de emoções, valores que reforçam vínculos e aquecem o coração das pessoas.
O nascimento do Salvador possui a capacidade de promover mudanças, de provocar tais efeitos em nós. 
Nestes dias, centenas de voluntários se reúnem para oferecer qualquer coisa aos menos favorecidos, enquanto outros se abraçam e trocam palavras carinhosas. Observo muitos se engrandecendo diante desse espírito, o que me obriga a perguntar: — Por quê? Independentemente da resposta, ela é irrelevante se consiste apenas em algumas almas à procura de luz.
Desejo a todos um Natal maravilhoso, agradecendo pelo ano que já não avança com a mesma força de outrora.