T R A D U T O R

31 de dez. de 2025

UM NOVO ANO.

  


        Cada ano, a vida me ensina algo a mais. Nesse, que morre no calendário, aprendi muito mais. Conheci pessoas diferentes e algumas parecidas comigo. Fiz mais amigos. Alguns muito legais, puros de coração, mas não os tive por muito tempo. Alguns ficaram, enquanto outros gradualmente se foram. Com eles aprendi que a resiliência é indispensável, pois ninguém nasce forte, torna-se! Acho que eu poderia ser forte por mais tempo. Ser mais humana, mas não deu. Isso é o que dói fundo na minha alma, mas, fazer o quê! Neste ano, que termina, chorei algumas vezes. Chorei, mas também amei, sorri, até ignorei algumas coisas e algumas pessoas, mas o que mais importou foi a intensidade desses momentos. Por isso e somente por isso desejo a vocês e a todos, aquilo que o dinheiro não pode comprar. Que possamos ser mais humanos, honestos, sinceros e verdadeiros em nossas amizades, amando aqueles que nos amam ou simplesmente amando apenas por amar.
                             FELIZ ANO NOVO E MUITO OBRIGADA!

24 de dez. de 2025

Porque é Natal

 

Nenhum dia nos chama mais para sentir gratidão, para perdoar e para ter esperança do que o Natal. O espírito natalino nos motiva a enxergar além das luzes e dos presentes distribuídos. É quando a partilha do amor ganha significado. 
Palavras e ações que tornam o dia de hoje um instante memorável de união e fé. 
Eu percebo em cada pessoa o despertar de emoções, valores que reforçam vínculos e aquecem o coração das pessoas.
O nascimento do Salvador possui a capacidade de promover mudanças, de provocar tais efeitos em nós. 
Nestes dias, centenas de voluntários se reúnem para oferecer qualquer coisa aos menos favorecidos, enquanto outros se abraçam e trocam palavras carinhosas. Observo muitos se engrandecendo diante desse espírito, o que me obriga a perguntar: - Por quê? Independentemente da resposta, ela é irrelevante se consiste apenas em algumas almas à procura de luz.
Desejo a todos um Natal maravilhoso, agradecendo pelo ano que já não avança com a mesma força de outrora.

21 de dez. de 2025

PRESENTE DE NATAL.

  

Meu pai costuma atender às solicitações feitas por mim, mas não sem fazer antes aquela resenha. Não era para eu ter o saco que tenho ouvindo o blá blá blá que ele faz, mas, como estou sempre precisando, fico de boa.
Tudo começou quando a mãe de uma colega, que me ajudou em uma prova, ficou desempregada. É duro ser mãe solteira e não ter de onde tirar o seu sustento e o de sua filha, principalmente no fim do ano. Imagina o natal dessa gente! Aquilo mexeu comigo por isso o discurso do meu pai na minha orelha. Enfim, a mulher foi empregada. Três meses depois, minha colega vem dizer que mãe ia lhe dar um irmãozinho. Irmãozinho, mas como assim e nem marido ela tem? — falei olhando na cara dela. Gente, com tanto homem dando sopa no pedaço, a vagabunda não foi trepar com o patrão dela?! O problema é o cara ser casado, e alguém sabe com quem ele é casado? Com D. Sayuri, a melhor amiga do pai. Aquela a quem pediu para empregar a piranha. Quando ela soube o tipo de gente que meu pai pediu que empregasse é que a merda vai feder.
E ela, a mãe dessa menina, só falou na gravidez porque ela é brasileira e o patrão dela não é. Tanto ele quanto D. Sayuri, sua esposa, são japoneses. Tá na cara que o moleque vai nascer com a cara desse cara. Quanto ao meu pai... Não quero nem pensar no que D. Sayuri vai fazer quando souber. Primeiro vai meter o pé na bunda da vagabunda. Quanto ao marido dela eu não sei, mas sei o escândalo que ela vai fazer lá em casa. Coitadinho do meu pai. Foi fazer o bem e olha no que deu. Acho que o Natal vai ser daqueles.

18 de dez. de 2025

THE GAME IS OVER

 



           Ninguém na minha casa é doente por jogo de bola. Nós gostamos, mas preferimos outras coisas que tem na TV. Principalmente as séries que mamãe acompanha com uma caixa de lenço ao seu lado. Lamentavelmente, meu pai tem amigos. Esse tipo que, em vez de ver o jogo com a esposa, prefere a casa da gente. Ontem foi um tumulto geral e olhe que o Flu nem venceu. Minha mãe não tem tempo para desocupado enquanto eu, muito menos. Especialmente para esse tipo de gente. Acreditem, os desocupados, não só levaram a pipoca, mas também a cerveja e o torresmo, que me deixaram com água na boca. Me refiro ao torresmo, que amo.
Não fosse o filho ao seu lado, eu teria aceitado o torresmo, mas com esse idiota me comendo com os olhos, prefiro morrer afogada a dar ossos para os cães.
Se o pai uivava e o filho grunhia empatando, como reagiriam conquistando a vitória? Meu pai, que é meio bobo, ria por minha mãe ter se escondido na cozinha e por mim, trancada no quarto. Com certeza, ria de nós, de mim e da minha mãe, pois para eles, com gol ou sem gol, tudo é motivo de festa.
O jogo acabou e a casa voltou ao que era, embora tentassem acessar o meu quarto para as despedidas. — “Vão na paz!” — Gritei lá de dentro.
Nunca me esqueceria de que, assim como os humanos, os animais também tentam invadir o espaço dos outros.

12 de dez. de 2025

PERRENGUE


Caso não morasse nesse país, aqui não viria jamais! Na viagem para São Paulo, eu estava tranquila, junto à janela, com minha prima sentada ao meu lado e meus pais conversavam, no banco de trás. A distância da Rodoviária, até o bairro, na zona sul, onde passamos o fim de semana, não leva nem meia hora. Eu, com os fones no ouvido, ouvia música até o movimento dos passageiros chamar a minha atenção. — Estão atirando pedras na gente, fiquem agachados! — Urrou o motorista ao ter o para-brisa estilhaçado. — Não para, motorista! Não para, acelera! — Gritavam para ele. O resto, todos já sabem. Fomos à delegacia onde cada um relatou o que viu. Conclusão: Do passeio, pouco aproveitamos. A questão era o retorno para casa. Felizmente, tudo transcorreu de forma satisfatória; contudo, retornar a São Paulo, definitivamente, não consta dos nossos planos. Se tiver que escolher, preferimos os assaltos que ocorrem aqui em nossa cidade. Pelo menos sabemos de onde o perigo está vindo.