"Qual é, Larissa? Relaxa, cara! Você é surreal, esquece isso!", eu falei, tentando manter o foco, mas por dentro eu estava arrasada com a situação. A japonesinha de 14 anos foi bem, beleza; mas ver a nossa Fadinha fora do pódio, por um detalhe, foi de partir o coração. Na hora de falar com ela, tentei ser o mais sensata possível:
— Você continua sendo a dona da pista, mesmo em quarto lugar; todo mundo sabe que você é a melhor, garota!
Mas a questão é que, quando o avião pousou no Galeão e eu pisei no Rio, a ficha caiu de verdade. No ônibus indo para casa, olhando as praias, me deu um vazio que não cabia em mim. Comecei a chorar real, sem drama. Logo hoje, Dia da Mulher, a gente querendo ver a nossa garota no topo e o destino faz uma coisa dessas?
Fiquei imaginando o aperto no peito da nossa Fadinha. É muita pressão, sabe? Ver o título escapando na frente de todo mundo logo nessa data... Gente, não foi fracasso, foi falta de sorte, mas dói do mesmo jeito. Chorei mesmo, não estou nem aí, porque, no fundo, toda carioca sentiu que caiu junto com ela naquele "Skate Park" paulista.
No fim das contas, entendi que o choro não era só pelo troféu que não veio, mas por saber que, para nós, ela nunca perderia a coroa. Sequei o rosto antes de descer no ponto, respirei fundo, abraçada ao meu pai, e percebi que ser mulher e brasileira é exatamente isso: cair, levantar e continuar sendo "braba", mesmo quando o resultado não é o que a gente esperava. A Larissa Leal continua sendo a nossa maior referência, e o Rio vai estar sempre aqui para aplaudir cada manobra, no pódio ou fora dele.
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