O susto veio de repente: ele sentiu que não estava bem. Foi ao médico que o mandou à mesa de cirurgia. Seguiu-se uma fisioterapia lenta e penosa, mas quando parecia que o pior havia passado, surgiu a necessidade de uma nova intervenção, ainda mais delicada. A cirurgia, tecnicamente, foi um sucesso; o problema, foram as complicações pós-operatórias. Uma sequência de infecções oportunistas o manteve confinado ao hospital por 17 dias intermináveis.
Hoje, ele está recuperado, pelo menos tenta provar, mas carrega o peso do julgamento alheio. Amigos e parentes não perdoam o seu sumiço, ignorando que o silêncio era a sua forma de lutar. Ele nunca foi de dividir o fardo; quando o estado era crítico, ele se calava. Quando falava, mentia por pudor: “Está tudo beleza”, dizia, enquanto o corpo tentava se reconstruir.
Por isso, minha alegria foi imensa quando ele decidiu, finalmente, “pôr a cara na janela”. E ele não apenas gritou que estava bem; ele provou. Ver sua vitalidade de volta é o melhor atestado de cura que ele poderia apresentar. Que bom ter você de volta, meu amigo! Que bom!
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