T R A D U T O R

25 de jun. de 2026

O ARQUEIRO E A FLECHA

 

      Eu sei que falo muita merda, mas espero que vocês me entendam. Qual a jovem que não se expressa assim quando sente o mundo apertar o passo? Tem hora que dá vontade de jogar tudo para o alto, gritar e fugir — ou se jogar de vez no precipício da própria ansiedade. Mas aí eu paro e penso: se nossos pais já foram jovens, passaram por esse mesmo sufoco e hoje são exemplos de superação, como eu não vou respirar fundo e seguir em frente? Se eles aguentaram o tranco, deve haver um código de sobrevivência que eu ainda não decifrei. Sei também que, na minha idade, a gente é chata pra cacete: é contra tudo e todos. E se falar em política, então... o estômago embrulha. Para mim, ninguém que já passou por lá presta. Se pudéssemos, trocaríamos todos por outros quaisquer, nem que fosse só pelo prazer da mudança.
     Meu avô, com aquela calma de quem já viu o mar recuar mil vezes, diz que na política só critica quem está fora. Ele está certo; errado é quem se cala e aceita o silêncio como destino.
     A vida adulta, porém, chega antes do boleto. Todo ano meu pai tem aumento de salário e, no mesmo patamar, aumenta minha mesada. O problema é que o custo de vida sobe o dobro. Para o meu pai, mais vivido, sempre existe um jeito, uma matemática com solução que eu desconheço. Para mim, resta o corte: parar de comprar o que, até ontem, era indispensável. A cada ano, uma nova tristeza. Ou a gente se ajeita ou afunda, como uma moeda numa garrafa de areia. Sorte que roupas, calçados e livros ficam na conta do meu velho. Mas e o cinema, o teatro e os museus, que cobram os olhos da cara? Isso ele não paga; já diz que está "embutido na mesada". É o preço de tentar ser culta em um país que cobra caro pelo ingresso da alma.
    Não sei como era a vida da adolescente no passado, se era mais ou menos severa, o fato é que a minha é foda. Sigo tentando manter a pontaria enquanto o vento sopra contra. Haja bambu para tanta flecha — porque arqueira, por aqui, é o que não falta.


19 comentários:

DUlCE disse...

En unos años más verás que la adolescencia no era tan terrible, sí lo es ser adultos y tener que lidiar con l apolítica, aunque no te guste y lo económico.

Beijos doces, Rô.

Angelo disse...

Crecer tiene algo curioso: un día empiezas a mirar a tu familia con otros ojos y descubres que cada generación ha ido recorriendo su propio camino. Un saludo

Jotabê disse...

Você está escrevendo cada vez melhor. O parágrafo final ficou excelente, ótima a ideia da arqueira.

Catiahô do BlogEspelhando disse...


Cada geração tem suas
questões.
Duvido que hoje um
jovem seja ele de que
opção sexual seja, que aceite
a obrigatoriedade de entregar
seu pagamento para ajudar
nas depsesas de casa. É mais
fácil que o adolescente ou jovem
com renda própria assuma por
iniciativa pessoal ajudar nas
despesas da casa dos pais, mesmo
que não viva com eles
ou e onde ele mora com outras pessoas
das quais ele mesmo
usuflui como internet, energia
e até aluguel. Mas sem imposição.
Caberá nocaso dos pais aceitarem
caso precisem ou dispensarem
com as devidas explicações.
Todo adolescente ou jovem consciente
merece ser chamado de arqueiro, pois
mesmo que os tempos sejam
outros bem como as necessidades,
suas batalhas devem sempre ser
respeitadas.
Otima publicação e força na peruca, como dizem.
Rô, porque a batalha da vida de seres
como os da sua idade nos tempos chamado de
hoje, só estão no começo.
Bjins
CatiahôAlc.

Tomás B disse...

Por un momento al leer el titulo de la publicación antes de abrir y leer me pensé que era otro arquero en que te rondaba y que suele estar un tanto trabajador a tu edad.
Quizás el salir airosa de esta lucha en la que te encuentras envuelta sea la que ponga la base a ganar guerras mas duras de mayor, como lo hacen tus padres.

Saludos.

RÔ - MEU DIÁRIO disse...

Querido Sr. Tomás! Confesso que sorri lendo sua mensagem.
Engraçado como um simples título pode levar nossa mente por tantos caminhos, né? Mas, olha, dessa vez não tem nenhum sagitariano na jogada! O foco aqui é outro, embora eu admire muito essa energia trabalhadora que você mencionou.
Suas palavras sobre a minha caminhada atual me deram um gás enorme. Ver meu esforço associado ao exemplo de garra dos meus pais foi o maior elogio que eu poderia receber. Eles são minha base de tudo, e vencer essas batalhas de agora com certeza vai me blindar para o que vier pela frente no futuro.
Agradeço imensamente pelo carinho, pelo respeito e por tirar um tempinho do seu dia para me deixar esse incentivo tão caloroso.
Um abraço bem apertado e volte sempre por aqui!

RÔ - MEU DIÁRIO disse...

Querido amigo Duice — se você me permite chamá-lo assim —, o seu comentário é muito bem-vindo.
Sabe, eu calculo que a minha adolescência é só um terço, ou quem sabe um quarto, de toda a vida longa que pretendo viver. Por isso, escolho aproveitar cada segundo fazendo o que é bom para mim e para os meus, mas sem nunca deixar de pavimentar o caminho para o "depois". Uma coisa não anula a outra; dá para equilibrar perfeitamente! E sobre política e economia, concordo totalmente: ninguém vive sem elas, nem os mais jovens. Afinal, ignorar a política é deixar que os outros escolham o futuro por nós, né? O mundo adulto tem lá seus pesos, mas encaro isso como parte da evolução, não como um bicho de sete cabeças.
Agradeço demais pelo conselho e pelo olhar maduro.
Um abraço bem apertado, tá bom!!!

RÔ - MEU DIÁRIO disse...

Que sensibilidade, seu Ângelo! Esse olhar é um verdadeiro rito de passagem, né? Acho que crescer é justamente esse estalo de perceber nossa família como indivíduos, cheios de escolhas e trajetórias próprias. É fascinante notar que, mesmo vindo da mesma raiz, cada um floresce para um lado. Esse entendimento me dá ainda mais gás e liberdade para trilhar o meu caminho, honrando de onde vim, mas assinando a minha própria história.
Agradeço demais por essa reflexão tão bonita que o senhor trouxe para cá.
Um abraço bem apertado, viu!

RÔ - MEU DIÁRIO disse...

Olha só, um elogio! Que evolução a nossa!
Brincadeiras à parte, fico muito feliz que tenha gostado do parágrafo e da metáfora da arqueira. Escrever é mesmo um processo constante e é ótimo saber que a leitura funcionou bem para o senhor desta vez.
Obrigada pelo feedback e mudei o tom para melhor, né? Apareça sempre, combinado?!

RÔ - MEU DIÁRIO disse...

Catiahô, que mensagem mais linda e cheia de sensibilidade! Ganhei o dia com esse colo em forma de texto. Você pegou totalmente o espírito da coisa. Hoje em dia, a nossa geração funciona muito mais na base do diálogo e da consciência do que da imposição, sabe? Ser chamada de arqueira por você é uma honra gigantesca! Dá um gás lindo para continuar mirando alto e encarando esse começo de jornada. Pode deixar que a peruca tá coladíssima e a força tá renovada!
Obrigada por tanto carinho e por essa troca tão rica.
Bjins estalados e volte sempre, tá certo?!

Larissa Pereira dos Santos disse...

Oi minha querida
Amei seu texto
Esse seu blog é realmente um diário,
Sabe que quando eu era adolescente tinha
muitos diário e sinto ter jogado fora.
São um tesouro.
Abraço e bom fds!

DUlCE disse...

Permiso concedido, Mi querida menina, y concuerdo con tus palabras, al fin de cuentas la vida hay que vivirla con todo lo que conlleva y tú tienes mucha madurez para saber enfrentarla.

Más besos dulces.

Verónica O.M. disse...

La vida siempre ha sido difícil.
Quien algo quería... era a costa de sacrificarse por ellas. Y no sabes cuánto. Contando que cosas que hoy son básicas no tod@s podían tener acceso a ellas.
Un abrazo 🍀

RÔ - MEU DIÁRIO disse...

Oi, minha querida Larissa! Que bom que você gostou do texto! Fiquei aqui imaginando os segredos que estavam nos seus diários de adolescência... Que pecado ter jogado fora! Mas ó, sinta-se super bem-vinda para usar o "Diário da Rô" como o seu novo cantinho de recordações, tudo bem? Prometo não espalhar os seus segredos!
Um abraço bem apertado e um final de semana maravilhoso para você também!

RÔ - MEU DIÁRIO disse...

Ah, que mensagem linda e tão cheia de verdade! Você tem toda razão. Às vezes a gente esquece o quanto o caminho foi duro e o quanto foi preciso lutar por coisas que hoje parecem tão simples. É por isso que olhar para trás nos faz valorizar cada pequena conquista de hoje!
Muito obrigada por compartilhar essa reflexão tão bonita aqui no "Diário da Rô".
Um abraço gigante, cheio de carinho, e um final de semana maravilhoso para você!
Fica na paz, Verônica!!!

Anônimo disse...

Primeiramente queria dizer que estou muito feliz por ter encontrado seu blog. Ver uma pessoa adolescente ter esse tipo de diário virtual me remete a minha adolescência, quando eu comecei a ter diário virtual assim também. Na época eu tinha 16 anos, hoje tenho 32, o dobro!
Mas, sobre a vida de adolescente, realmente cada geração tem seus conflitos, sabe? Uma coisa que eu nem imaginaria ser um problema pra mim, pode ser um problema para você atualmente. E uma coisa que era um problema pra mim na minha época pode não ser para você hoje em dia. É até difícil comparar, sabe?
Enfim, você está certa em se expressar, isso é muito bom para construir a maturidade. E de fato, a maturidade a gente vai construindo com os anos, eu mesma tenho muita coisa a aprender... O negócio é manter o foco e tentar ser uma boa pessoa.
Sua escrita é excelente, aliás!

RÔ - MEU DIÁRIO disse...

Fiquei superfeliz com os elogios à minha escrita. Só preciso fazer uma pequena correção de rota: eu já saí dos 16 anos e hoje tenho 19! Mas confesso que adoro manter o título de "adolescente". Afinal, quanto mais eu adiar o título de adulta e a chegada dos boletos, melhor para a minha saúde mental!Você tem toda razão quanto aos conflitos de cada geração. Essa troca de experiências é o que faz o blog valer a pena (e me ajuda a entender o que me espera no futuro). Sigo aqui firme na missão de construir a tal maturidade — um texto de cada vez, e torcendo para dar certo!
Apareça sempre para papear! 🤍

silvioafonso disse...

Texto brilhante, Rô! Nada mais maduro do que admitir que fala merda e, logo em seguida, dar uma aula sobre inflação.
Sobre trocar os políticos pelo prazer da mudança: se o seu avô estiver certo, o problema é que os novos também vão aprender a matemática do seu pai rapidinho. Haja bambu, hein!

Jovem Jornalista disse...

Temos vivido momentos difíceis economicamente falando. Espero que esses tempos passem logo.

Boa semana!

O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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Até mais, Emerson Garcia