Eu e esse blogueiro vivemos nesse eterno jogo de gato e rato. É uma dinâmica que eu adoro e que nasce de uma admiração muito profunda que tenho por ele — e que sinto que ele também tem por mim. Mas, parando para observar o jeito dele, fica claro que a história dele guarda marcas que nem todo mundo consegue ver. Se eu percebo isso, é porque a minha realidade foi o oposto da dele.
Ele não teve aquela infância leve que tantos meninos tiveram. O que transparece é uma criação marcada pela repressão. Fico imaginando o menino que ele foi, enfrentando dedos em riste e vozes agudas a cada erro bobo, sentindo-se o menor ser do mundo, encolhido num canto da casa. É de cortar o coração.
Mas o tempo passou. Aquele menino se esforçou, estudou e foi à luta. Com o fruto do trabalho dele, ele deu aos pais tudo o que achou que eles mereciam. É um gesto lindo, mas que me faz pensar: e o alicerce de tudo isso? A infância, que deveria ser o nosso porto seguro, parece ser um lugar onde ele prefere não pôr os pés. Eu diria isso se fosse a analista dele, mas como sou só alguém que o admira...
Quando o assunto vira brincadeira de criança, esse cara se retrai. É um silêncio que diz tanta coisa. Ele não demonstra fragilidade, não fala de dores passadas e faz questão de dizer que não chora por isso agora que é adulto. Mas o comportamento dele, esse jeito de se afastar do passado, é a prova mais honesta de que aquela criança ainda mora lá dentro, buscando um colo onde possa fechar os olhinhos, sentir o beijo da mãe e finalmente dormir.

31 comentários:
Você quase me "psicografou", mesmo não sendo o blogueiro que você conhece. Eu vivi em uma prisão amorosa, sem dedos em riste, sem palmadas (nunca apanhei de meus pais!), mas era um prisão mesmo assim, uma jaula de onde eu não pude sair tão cedo. Por isso, em uma época em que não existia televisão, eu passava a maior parte do tempo lendo. Foi bom? Foi ruim? já passou.
A veces escondemos lo difícil que han sido para nosotros algunas cosas, pero siempre algo se nota, has sabido verlo, a pesar de las capas.
Saludos
Hoje quando acordei vi várias mensagens no celular — e sim, eram da pessoa que mencionei no post. Ela me pediu para apagar os detalhes que a identificavam, mas, como me conhece, sabe que não farei isso. Afinal, o que escrevi foi uma homenagem, não uma condenação.
O cara merece e sabe disso!!!!
Você disse tudo, Eugênia. É isso mesmo. Um beijo!!!!
Todo lo que vivimos nos va formando, más aún en la infancia donde somos permeables a todo y donde por supuesto deberíamos vivir y disfrutar como niños ajenos a todo, pero si no es así eso deja huella, a veces no tan positivas. Creo que tu amigo ha sacado lo mejor de esa experiencia y lo demás se deja de lado, pero no se olvida.
Beijos doces, Rô.
L'infanzia è il tempo in cui si costruiscono le fondamenta della vita ed è il tempo in cui, volenti o no, si definisce anche il suo futuro. Buona giornata.
sinforosa
Ese bloguero que nos describes bien puede ser uno de esos niños que vemos a diario en informativos que tienen sus infancias rotas y quizás con el tiempo le veamos feliz y disfrutando de todo aquello que se supo ganar en la vida.
Saludos.
Has sabido verlo
É deveras interessante trazeres este "tema" para o teu blog. Realmente, a nossa infância deixa marcas profundas e importantes, que permancem bem dentro de nós, mesmo quando achamos que não.
Dá que pensar.
Deviamos pensar!
Sobretudo, quando temos filhos...
Hug.
Rô,
Muito boa sua publicação
que é com certeza uma
Conversa diante do Espelho,
ou seja, uma publicação terapia.
Valeu mesmo ver através.
Bjins
CatiahôAlc.
Ela, como diz o pai, é meio doidinha mesmo, Catiaho.
Doidinha vc sabe bem quem é!
D. Catiaho, um beijinho e obrigada por tudo.
História interessante
E sofrida como a muitos
Texto lindo
Parabéns bjs Larissa
Qué bonito relato nos dejas esta vez, lleno de sensibilidad y emoción. Es cierto que la base de cómo seremos de adultos se forja en la niñez y por eso se explican tantas cosas que ocurren cuando la gente es mayor. Muy chulo, un abrazo!
A maioria dos meninos tem uma infância boa? Tem certeza disso? Boa ou menos boa, faz parte de nós e segue-se em frente. E muito depende da NATUREZA de cada um.
A minha infância não foi positiva - enjaulada num ambiente tóxico - mas hoje continuo a ser o apoio de meus pais e não cortei relações.
Por vezes ainda me querem continuar a usar como o seu saco pessoal para despejar raiva e frustrações... É. Uma pessoa que nasça com empatia pelos outros evolui, entende além do obvio, não guarda mágoas, não esquece mas não fala disso. Uma pessoa mais egoísta que se prioriza acima de tudo e todos, vai cortar relações. Tudo e todos que não gosta vai querer ver pelas costas e corta grandes contactos, mantendo só essenciais de uma forma fria e formal.
RÔ es un nombre? gracias por visitar mi blog y por tu amable comentario, Tu blog es muy inspirador, con tu permiso te sigo
Rô es un nombre? Gracias por visitar mi blog y por tu amable comentario. Tu blog es my ienteresante cn tu permiso te sigo.
Que delicadeza. Adorei as palavras.
Boa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!
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Até mais, Emerson Garcia
Caramba, guria; como você escreve bem! Meu abraço, boa semana.
Esqueceu nada. Ela se orgulha das cosias que faz.
É na infância que fincamos os pés, mesmo. Um beijo, tá bom!!!!
É o que demonstra ser, mesmo: um cara feliz. Enfim, ninguém mora no coração de ninguém, por isso julgamos a pessoa pelo que ela diz e faz, não é mesmo?
Beijos, amore. Beijos pra ti.
Obrigada pelo comentário, tá bom?
Um beijinho, Larissa e obrigada por comentar aqui, tá bom?
Seu comentário é muito forte, muito bonito. Obrigada, de verdade!!!!
Entendo seu ponto! Acho que o mais importante é cada um encontrar a forma que dói menos para seguir em frente. Infância é um assunto complexo mesmo e cada vivência é única. Valeu pelo comentário e por trazer essa reflexão aqui pro blog! Obrigada, viu!!!!
Sim, é o meu nome, que dizer, é como me chamam. Obrigada por seguir meu blog, nosso blog.
Um beijinho, viu!!!!
Também sigo seu blog. Obrigada por me permitir, viu!!!
Tento me esforçar, senhor jornalista. Obrigada!!!
Que legal ouvir isso de alguém que escreve muito melhor... obrigada, de coração!!!
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