Eu e esse blogueiro vivemos nesse eterno jogo de gato e rato. É uma dinâmica que eu adoro e que nasce de uma admiração muito profunda que tenho por ele — e que sinto que ele também tem por mim. Mas, parando para observar o jeito dele, fica claro que a história dele guarda marcas que nem todo mundo consegue ver. Se eu percebo isso, é porque a minha realidade foi o oposto da dele.
Ele não teve aquela infância leve que tantos meninos tiveram. O que transparece é uma criação marcada pela repressão. Fico imaginando o menino que ele foi, enfrentando dedos em riste e vozes agudas a cada erro bobo, sentindo-se o menor ser do mundo, encolhido num canto da casa. É de cortar o coração.
Mas o tempo passou. Aquele menino se esforçou, estudou e foi à luta. Com o fruto do trabalho dele, ele deu aos pais tudo o que achou que eles mereciam. É um gesto lindo, mas que me faz pensar: e o alicerce de tudo isso? A infância, que deveria ser o nosso porto seguro, parece ser um lugar onde ele prefere não pôr os pés. Eu diria isso se fosse a analista dele, mas como sou só alguém que o admira...
Quando o assunto vira brincadeira de criança, esse cara se retrai. É um silêncio que diz tanta coisa. Ele não demonstra fragilidade, não fala de dores passadas e faz questão de dizer que não chora por isso agora que é adulto. Mas o comportamento dele, esse jeito de se afastar do passado, é a prova mais honesta de que aquela criança ainda mora lá dentro, buscando um colo onde possa fechar os olhinhos, sentir o beijo da mãe e finalmente dormir.

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