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segunda-feira, maio 20, 2024

METRÔ DO RIO.

 


    Uma criança chorava no colo da mãe bem ao lado onde estávamos sentadas. O choro era tanto que mamãe sugeriu que trocássemos de lugar. Sentamos no fundo daquele vagão, longe da barulheira. Não disse que o choro a incomodava, mas também não explicou porque trocamos um vagão pelo outro. Se o choro incomodou todo mundo, por que não a incomodaria se vovó me contou que mamãe, quando era criança, reclamou de uma menina se esgoelando na área de serviço da casa onde fora visitar sua avó? Foi a mãe da minha mãe quem me contou. Na ocasião, segundo ela disse, mamãe, então com 6 anos, procurava a menina que em qualquer canto daquela casa se esgoelava de tanto chorar. Mas sua avó, com muito jeito, lhe disse não haver criança nenhuma ali dentro, só um papagaio. Era ele imitando a menina da casa ao lado. — Mas lá não tem criança que eu saiba, vovó, como ele pode aprender? — não tem, mas já teve, minha neta — respondeu se abaixando na frente dela — infelizmente a criança estava muito doente e para não sofrer mais, Deus a levou — concluiu pegando mamãe no colo. Aquilo deixou minha mãe tão triste que até hoje, tantos anos depois, ela não havia esquecido, ou não trocávamos de vagão naquele momento. Ainda me lembro da bisa dizer: — “A gente pode se livrar de qualquer coisa nessa vida, menos das más e das boas lembranças”.
— E não é que a senhora está certa! Gostaria de poder lhe dizer.


9 comentários:

Pequena con estilo disse...

Otimo post

Eduardo Medeiros disse...

As lembranças fazem parte do que somos hoje, tantos as boas quanto as ruins. Agora, papagaio imitando criança chorando eu nunca tinha ouvido falar...

abraço

Jaime Portela disse...

As coisas boas e as más ficam mesmo na memória.
Também me custa ouvir uma criança a chorar, não pelo incómodo, que existe, mas por imaginar o que a criança estará a sofrer naquele momento.
Gostei da história. Com um papagaio desses é melhor deixá-lo sair pela janela para não mais voltar...
Boa semana.
Beijo.

Jovem Jornalista disse...

Sua vó está realmente certa. Gostei!

Boa semana!

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Até mais, Emerson Garcia

Flávio Cruz disse...

Verdade, Rô! Por algum motivo, que desconheço, é muito difícil deixarmos para trás as boas ou más lembranças. Meu abraço, boa semana.

Adriana Leandro disse...

As lembranças faz parte de nossas vidas, mesmo que a gente não queira mais se lembrar delas.
Beijinhos!!!

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Tais Luso de Carvalho disse...

Olá, Ro, jamais nos livraremos das lembranças, não mandamos na nossa mente, lembramos e...já era!
Olha, grito e choro de criança em restaurante, ou em ônibus, ou na Igreja...
é algo terrível.
Certa vez numa sorveteria, uma criança começou a chorar, bater os pés, gritar porque queria mais sorvete... eu meio que enlouqueci e fiquei a olhar!
Pois a mãe da criança me olhou e perguntou se eu tinha perdido alguma coisa ali, na mesa dela onde a criança se esgoelava!!
Eu disse que nada tinha perdido, apenas vendo o desenrolar daquele drama curioso e horroroso! rsss
São lembranças que não esquecemos. E principalmente quando vejo se repetir a mesma história!
Boa semana,
beijinho.

Conchi disse...

A veces los recuerdos vuelven aunque no queramos Ro. Tu abuela tenia razón.

Abrazos.

Pedro Luso de Carvalho disse...

Olá, Ro, meus parabéns por esta sua ótima crônica,
que gostei muito de ler.
Você tem talento!
Um ótimo final de semana,
um abraço.

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