Tem uma coisa nessas eleições que não sai da minha cabeça. Uma parte das pessoas votou em um candidato, outra parte escolheu o adversário. E cada lado parece ter certeza absoluta de que fez a escolha certa. Mas será que fez mesmo?
Fico pensando: quantas pessoas que votaram conhecem de verdade esses candidatos? Não estou falando de conhecer o rosto, ouvir entrevistas ou acompanhar o que dizem na televisão. Estou falando de conhecer a pessoa, saber como ela pensa, como age quando ninguém está olhando, o que realmente faz e o que pretende fazer.
Acho que quase ninguém sabe.
A maioria de nós conhece aquilo que aparece nos jornais, na televisão, nas redes sociais e nos vídeos que circulam pela internet. Só que existe um detalhe: alguém escolhe o que vai aparecer. Uma notícia mostra uma coisa boa de um candidato, outra destaca um erro do adversário. E, quando percebemos, já estamos achando um maravilhoso e o outro um desastre.
Mas será que é assim mesmo?
Eu não sei se um é melhor do que o outro. Também não sei se aquele que parece ter feito mais coisas é realmente melhor ou se simplesmente teve mais espaço para mostrar o que fez.
E aí vem a pergunta que me incomoda: será que estou escolhendo por aquilo que penso ou pelo que fizeram com que eu pensasse?
Não estou dizendo que a imprensa mente o tempo todo. Seria injusto afirmar isso. Mas também não acho que devamos acreditar em tudo sem questionar. Afinal, uma informação pode ser verdadeira e, ainda assim, não contar a história inteira.
O mais curioso é que os dois lados têm argumentos, os dois têm defensores e os dois acreditam estar certos. E milhões de pessoas votam acreditando que estão fazendo o melhor para o país.
Talvez estejam. Talvez não.
Só acho estranho que a gente tenha tanta certeza sobre pessoas que, na maioria das vezes, nunca vimos de perto e das quais conhecemos apenas aquilo que chega até nós.
No fim, fico com uma dúvida: será que escolhemos nossos representantes ou escolhemos a versão deles que alguém nos apresentou?
Não tenho uma resposta. Mas acho que já seria um bom começo se a gente aprendesse a fazer essa pergunta antes de chamar de ignorante quem votou diferente.
Rô
Rô
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