T R A D U T O R

20 de mai. de 2026

VERDADE CUSPIDA NA CARA

 

      Olha só, papo sério: a senhora chegou pra mim, assim, do nada, cuspindo as palavras na minha cara: "Por que você, que é preta, tem que citar sua cor em toda conversa? Não acha que tá obrigando a gente a te aceitar?"
       Gente, eu nem conhecia a mulher, nem tava falando com ela! Mas deixa eu explicar uma coisa que parece que esse povo não entende. Quando eu falo da minha cor, não é só sobre "reafirmar identidade" ou "estratégia contra o racismo" — embora seja isso também. É, acima de tudo, pra dar liberdade pro outro.
      Eu falo pra deixar quem tá comigo à vontade. Pra pessoa saber que pode citar minha cor sem medo, sem aquele pisar em ovos achando que vai me ofender. Eu quero transparência, sabe? Porque, na boa, do que adianta me tratar com aquele "respeito" forçado na frente, se pelas costas a pessoa destila preconceito? Do que adianta o beijinho no rosto se o olhar é de julgamento?
     É disso que eu tô falando quando trago minha cor pra conversa. Eu só quero ser tratada com o mesmo respeito que eu tenho pelos outros. Gente, eu pago os mesmos impostos altíssimos que todo mundo — dinheiro que eu podia tá usando pra viajar, pra ir num teatro, mas que vai pra manter essa sociedade que cobra o tempo todo da gente.
     Ninguém corre mais do que eu pra mostrar a que veio. Eu sou o que sou e não admito que ninguém venha me dizer como eu devo me comportar ou falar da minha própria pele. Se eu falo, é pra gente ter verdade. O resto? O resto é só barulho de quem não entende nada de liberdade.

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