Criei este blog em uma tarde de tédio absoluto, entre uma aula de geografia e um lanche sem graça.
O nome, "Rô, Meu Diário", nasceu sem pretensão — apenas um espaço para despejar as bobagens que passavam pela minha cabeça. Moro com meus pais e, teoricamente, minha maior preocupação deveriam ser os estudos; mas, na prática, o blog virou minha obsessão. No primeiro post, escrevi sobre uma "amiga". Quando terminei, achei bonitinho. Mas aí, algo estranho aconteceu: eu não conseguia parar de reler. Notei que repetia exaustivamente uma certa palavra, e aquilo começou a me incomodar.
Naquela noite, em vez de maratonar uma série, abri um dicionário.
O nome, "Rô, Meu Diário", nasceu sem pretensão — apenas um espaço para despejar as bobagens que passavam pela minha cabeça. Moro com meus pais e, teoricamente, minha maior preocupação deveriam ser os estudos; mas, na prática, o blog virou minha obsessão. No primeiro post, escrevi sobre uma "amiga". Quando terminei, achei bonitinho. Mas aí, algo estranho aconteceu: eu não conseguia parar de reler. Notei que repetia exaustivamente uma certa palavra, e aquilo começou a me incomodar.
Naquela noite, em vez de maratonar uma série, abri um dicionário.
No segundo post, falei sobre a morte do irmão da minha mãe e o rumo inesperado que a viúva tomou.
Quando usei um ponto e vírgula do jeito certo, juro: meu coração disparou. Senti que algo havia mudado em mim. Comecei a observar as pessoas no ônibus não mais como passageiros, mas como personagens. O jeito que o senhorzinho se agarrava à mochila virou um parágrafo sobre resistência. O brilho do asfalto molhado após a chuva tornou-se uma lição sobre metáforas. Cada postagem era um degrau.
Quando usei um ponto e vírgula do jeito certo, juro: meu coração disparou. Senti que algo havia mudado em mim. Comecei a observar as pessoas no ônibus não mais como passageiros, mas como personagens. O jeito que o senhorzinho se agarrava à mochila virou um parágrafo sobre resistência. O brilho do asfalto molhado após a chuva tornou-se uma lição sobre metáforas. Cada postagem era um degrau.
Passei a ler Guimarães Rosa antes de dormir como quem estuda um manual para ir à Lua. Eu queria palavras potentes, frases com um sotaque carioca bem arrastado.
Ontem, escrevi sobre a simplicidade de comer um pastel de carne na lanchonete da faculdade. Ficou tão fluido, tão... honesto, que terminei de digitar e dei um beijo em cada um dos meus dedos.
— Rô, você está bem? — minha mãe perguntou, visivelmente preocupada.
— Shhh, mãe! — respondi, com os olhos brilhando de orgulho. — Não estrague o momento. Eu acabei de usar "paupérrimo" e "idiossincrasia" na mesma frase e ficou... delicioso.
Até hoje, eu acordo, leio um post antigo meu, dou um tapinha nas minhas próprias costas e digo para o espelho: "Arrasou, garota. Se eu não fosse eu, eu morreria de vontade de ser".
— Shhh, mãe! — respondi, com os olhos brilhando de orgulho. — Não estrague o momento. Eu acabei de usar "paupérrimo" e "idiossincrasia" na mesma frase e ficou... delicioso.
Até hoje, eu acordo, leio um post antigo meu, dou um tapinha nas minhas próprias costas e digo para o espelho: "Arrasou, garota. Se eu não fosse eu, eu morreria de vontade de ser".

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