T R A D U T O R

20 de jan. de 2026

SAMBA DO ZECA

 



              Eu não tinha expectativas maiores para aquele fim de semana do que as que me foram oferecidas. Quando meu pai anunciou que nos levaria à casa do Zeca, eu me senti meio confusa, desorientada. Zeca, mas que Zeca é esse, meu Deus? — Zeca Pagodinho! — gritou minha mãe da cozinha. Eu não era uma grande admiradora desse cantor ou das músicas dele, mas como resistir quando o dono da casa, no meio da festa, levanta um microfone e, apontando para você, bate no peito e te dedica a música que está cantando naquele momento? Não apenas com ele, mas também com outros que cantavam, apontando para mim. Na verdade, não tinha certeza se cantavam para mim ou para o blogueiro, sempre ele, que não apenas nos conduziu a Xerém, mas também nos apresentou ao artista. Cara, foi a melhor tarde que já vivi na minha vida. Imagina um enorme fogão a lenha, com 12 panelas de ferro, preparando feijão e miúdos de porco para suprir uma demanda que não cessava de aumentar. “É o dia inteiro assim, quando tem samba em Xerém”—, disse uma pessoa que passou segurando um prato com cuidado para não derramar. Não consegui contar as caixas de cerveja, porém os caminhões que as transportavam, sim, contei dois.
No que se refere aos cantores, eu não tinha ideia de quem eram. — “Esse é o João Bosco. O outro, com a camisa amarrada na testa, é Diogo Nogueira. Aquela pessoa com a Zélia Duncan é o Paulinho da Viola. E os três, lá atrás, com o Zeca: são Moacyr Luz, Nelson Sargento e a filha da Elis Regina, Maria Rita. Você deve saber quem é”. Disse o blogueiro, apoiando seu braço em meu ombro, que eu, com delicadeza, retirei de cima de mim.

Nenhum comentário: